Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A alma de um povo

Neste Dia de Portugal, que celebrámos no passado dia 10 de junho, cujas cerimónias ocorreram, no lugar próprio – O Mosteiro dos Jerónimos, junto ao túmulo de Camões, tivemos a oportunidade de ouvir pela primeira vez, o Cardeal Tolentino de Mendonça, um homem de igreja, que o Papa Francisco chamou para seu colaborador em Roma. […]

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Neste Dia de Portugal, que celebrámos no passado dia 10 de junho, cujas cerimónias ocorreram, no lugar próprio – O Mosteiro dos Jerónimos, junto ao túmulo de Camões, tivemos a oportunidade de ouvir pela primeira vez, o Cardeal Tolentino de Mendonça, um homem de igreja, que o Papa Francisco chamou para seu colaborador em Roma. O Prof. Marcelo, convidou-o este ano para presidir às Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que todos os anos se celebram e que este ano, pelas razões conhecidas, ficaram reduzidas a uma cerimónia marcante, pela mensagem que nos deixou este assumido Madeirense. 

Tolentino de Mendonça, falou das raízes de Portugal, como comunidade, para defender que são elas que o robustecem como país. E nelas se incluem, todas as gerações, embora na sua intervenção tenha dedicado mais atenção aos mais jovens e aos mais velhos e mais pobres. 

O pior que nos poderia acontecer seria arrumarmos a sociedade em faixas etárias. É um erro pensar uma geração como dispensável ou como um peso, pois não podemos viver uns sem os outros. É essa a lição das raízes. 

Foi aos Lusíadas, buscar a descrição que Camões faz da tempestade, que tanto desgastou a viagem náutica com destino ao Oriente, em que participava, e que parecia ir impedir o sucesso dos navegadores. E comparou-a a estes tempos em que a pandemia nos tem mergulhado, para concluir dizendo, que ela não nos fará tombar, enquanto povo, enquanto nação, porque são as raízes da nossa história que tem formatado a alma do povo que somos. E insistiu, no valor patrimonial que representam os idosos, que alguns parecem querer transformar em população de risco, porque estão mais sós, mais pobres, remetidos muitas vezes para precários contextos de institucionalização, vendo a sua função humana e social esquecida, quando não desvalorizadas. 

Uma raíz do futuro de Portugal – vincou – passa por aprofundar a contribuição dos mais velhos, levando-os a assumir-se como moderadores da vida para os mais novos. E, em relação a estes, chamou a atenção para uma outra das gerações mais vulnerável: os jovens adultos abaixo dos 35 anos que enfrentam, numa década, a segunda crise económica grave. 

Esta crise pandémica atingiu a humanidade por inteiro e a escassez de trabalho é generalizada. Só uma solidariedade inter-geracional, será capaz de fazer luz sobre o futuro que os espera e, não haverá soluções milagrosas, apesar de o Presidente Marcelo, ter alertado para a necessidade de acordar para a mudança necessária e fazer um Portugal com futuro, dimensão que estes quatro anos do anterior governo, claramente não nos deram.

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