Quarta-feira, 6 de Julho de 2022
Victor Pereira
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A Corresponsabilidade na Igreja

Está em marcha o processo sinodal na Igreja. Decorre ainda a fase diocesana. Recordo que a fase final será em outubro de 2023.

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Alguém já mencionou que a Igreja está em sínodo e não num sínodo. É um processo que tem o seu fundamento no Concílio Vaticano II, onde se concebeu a Igreja como o Povo de Deus, em que todos os batizados são e fazem a Igreja, fazendo parte de um povo organizado por diversos ministérios, carismas e serviços, onde todos são chamados ao seu trabalho próprio e a colaborar na missão da Igreja: evangelizar e levar ao coração de cada homem e de cada mulher e ao coração do mundo a obra salvadora de Jesus Cristo. É um processo que procura eliminar, e bem, a ideia de que há o nós, os que mandam, sabem e decidem, os clérigos, a Igreja ordenada e hierárquica, e o eles, os leigos, todos os outros batizados, a quem cabe assistir, obedecer e servir para o que fizer falta. 

É uma adulteração da Igreja como a definiu o Concílio Vaticano II, que, no fundo, foi o regresso às origens da Igreja, que nasceu sinodal e laical. 

Uma Igreja sinodal exige, assim, uma dupla conversão: do clero, que tem de aprender a pensar que não é o centro da Igreja e que tudo tem de acontecer a partir do clero e para o clero; e dos leigos, que se acomodaram à cultura clerical, ao absentismo e desresponsabilização eclesial, à passividade e marginalização pastorais. Chegou a hora de os leigos se chegarem à frente e cada um assumir a sua corresponsabilidade na Igreja. Como diz a teóloga Inogés Sanz, há que abandonar o entorpecimento laical, que tomou conta de muitos leigos. 

Aponto algumas atitudes. Em tempos, o Bispo de Maiorca, Teodoro Ubeda, conferenciou: 

“Do culto do eu à devoção pela fraternidade e pela comunidade; Da comodidade que impede de nos comprometermos à ascese de aceitar o compromisso e de o manter fielmente; da falta de comunicação de pensamentos e sentimentos, à abertura e recetividade para com os outros; da obsessão pela eficácia (fazer coisas) à preocupação pela pedagogia (educar pessoas); do egoísmo de conservar o que é meu, à generosidade de tudo compartilhar; da inimizade, inveja, receio e confrontação, à aproximação, estima e confiança pelos irmãos; da amargura da crítica sistemática, à correção fraterna, ponderada e amável; do medo pela sorte da Igreja, à confiança no Espírito e nos irmãos; do protagonismo pessoal, ao serviço silencioso e despercebido; da pressa pelo êxito, à paciência do semeador e à gratuidade no serviço”.

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