Domingo, 17 de Outubro de 2021
Ernesto Areias
Advogado. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

A dimensão simbólica e económica da cultura

IV simpósio sobre judaísmo em Chaves, 13 e 14 de março

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Gostaria de deixar uma nota sintética da dimensão simbólica e económica da cultura, baseada na importância que reveste a investigação e divulgação da história e o registo da memória das comunidades.

Destacamos o labor da Academia Montsefarad que tem como objetivos o estudo da presença judaica na região de Trás-os-Montes e na Galiza.

A Montsefarad iniciou a sua atividade em julho de 2015 através do Centro de Estudos Judaicos do Alto Tâmega, patrocinado pelo Rotary Clube de Chaves, que veio a dar lugar à atual instituição constituída em associação em 5 de outubro de 2019.

Abrange a Montsefarad a área territorial de cerca de vinte municípios da nossa região e da Galiza destacando-se o de Tui, terra onde foi notável a presença judaica convergindo connosco numa história comum.

Destacamos a cooperação com as Universidades Complutense de Madrid e do Porto para além de decorrerem outros contactos com centros de investigação, instituições de ensino superior e autarquias que têm mostrado abertura e interesse na temática.

São iniciativas imediatas da Montsefarad:

Realização em Chaves do IV Simpósio sobre a presença judaica na nossa região nos dias 13 e 14 de março, que conta com a participação de académicos, especialistas em história do judaísmo.

Merece atenção o lançamento do Nº 1 da revista Montsefarad que se destina a divulgar os trabalhos dos Simpósios, iniciativas da Academia e artigos de investigação.
Deixo nota de iniciativas em calendarização, a realizar em diversos municípios da sua área territorial como forma de descentralização da atividade.

Por fim, o trabalho, já em desenvolvimento, de criação da Rota Judaica de Trás-os-Montes, já esboçada, que inclui cerca de trinta comunidades e uma extensão de mais de quinhentos quilómetros. 

A implementação da Rota Judaica terá uma expressão económica relevante para além do contributo unificador das várias comunidades e de promoção da coesão territorial.
Na senda do pensamento do grande medievalista Jules Michelet: Há que por a falar os silêncios da História, essas reticências terríveis em que nada mais diz.
Bem poderemos dizer que deverá ser este o lema da Montsefarad pelo trabalho que está a realizar. Depois de séculos em que a presença hebraica foi postergada por preconceitos culturais e religiosos, é louvável que um grupo de investigadores reponha justiça quanto à temática; será também uma homenagem ao trabalho inestimável de historiadores como Alexandre Herculano e, entre nós, o Abade de Baçal. 

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