Comecemos pela Europa.
António Barreto, que também reflete sobre o assunto, diz-nos que a nova presidência Europeia assumida por Portugal, mais parece um fait-divers, e acrescenta que as Presidências da União são uma rotina. Todos os países, quando chega a sua vez, querem ter agendas, elaborar dossiers, deixar a sua marca, fazer reformas, projetar a Europa no mundo.
É a sua opinião, não inteiramente coincidente com a nossa, porque as oportunidades vão ser tantas, que alguma coisa vai ficar.
António Costa delegou no Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a gestão diária desta Presidência, e este já anunciou alguns dos programas que quer ver implementados: “Uma maneira de compreender como as Presidenciais alemã e portuguesa do Conselho da União Europeia se distinguem e articulam, é pensar que aquele foi o tempo de decidir e este será o tempo de realizar. O que significa pôr no terreno o nosso orçamento plurianual e o plano de recuperação, assegurar o desenvolvimento da vacina universal, aprovar a primeira lei europeia do clima, avançar no dossier das migrações, concluir a reforma de política agrícola comum, iniciar o processo legislativo sobre os serviços e mercados digitais, aumentar a coordenação em políticas de saúde, implementar o pilar dos direitos sociais e rever as políticas industrial e comercial da Europa, no sentido de reforçar a sua autonomia, mantendo-a, porém, aberta ao mundo”.
Parece-nos um programa muito ambicioso para cumprir em escassos seis meses, com Portugal e todos os países da União mergulhados na crise pandémica, que continua a ceifar vidas e a causar enormes prejuízos nas respetivas economias.
Não sabemos se foi boa ideia, a de delegar a maior responsabilidade no Ministro dos Negócios Estrangeiros. A Senhora Merkel assumiu, em pleno, a condução do processo e saiu com elevado prestígio entre os 27 Estados Membros.
Seja como for, o que se pede aos nossos responsáveis, é que não percam a oportunidade para chamar a atenção dos europeus, para os enormes problemas sociais e económicos do nosso país, que precisa de começar a ver a luz ao fundo do túnel, como se costuma dizer.
São os nossos votos e com certeza o de todos os portugueses, sejam de esquerda ou de direita.




