A família em tempos de crise

A educação em Portugal tem sempre acompanhado os impulsos maiores vindos de várias dimensões da sociedade nacional e global. Por exemplo, como analisei em Zagreb, durante os dias 13 a 15 de Outubro do corrente, no encontro da Eurasean Business and Economics Society, o caso da educação pré-escolar é reflexo dessa conjugação de factores.

O meu trabalho mostrou que a frequência no pré-escolar tem ficado a dever, desde 1960, a aumentos não só no rendimento per capita do país, mas sobretudo ao aumento da taxa de actividade feminina e à terciarização da economia (isto é, desde então, a economia portuguesa tem vindo a concentrar o valor produzido no sector terciário).

Como resultado destas forças, as famílias deixaram de encontrar o apoio próximo interno que encontravam até à década de 1960. Até aí, as crianças eram muitas vezes educadas por uma espécie de gineceu local, composto pelas avós, pelas tias ou por outras senhoras disponíveis. Com a vinda dos casais mais jovens para as localidades urbanas, as crianças de tenra idade

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