São muitos, merecendo muitas referências nos órgãos de comunicação social da atualidade, tornando-se muito mediatizados. "Factos novos" que podem ser a corrupção, as "cunhas", as "luvas", os desvios de dinheiros públicos para contas privadas, os roubos de armas dos paiois do Exército, a burocracia, a demora em praticar a Justiça, as listas de espera para as consultas hospitalares, a centralização e a regionalização, as guerras do futebol, a violência em geral e a doméstica em particular, por aí fora.
Não ficamos insensíveis à constatação de que, perante burlas, fraudes, escândalos, crimes ou vandalismos os mais diversificados, as autoridades a quem compete regularizar as ocorrências públicas no sentido da instituição jurídica ou da norma ética digam não as conheçer a não ser quando o problema é despoletado pelos jornais e pelos canais televisivos. Assim tem acontecido, por exemplo, com um ministro que desconhecia, três dias depois de denunciado um roubo das armas em Tancos, o que tinha acontecido. Ou com um Primeiro-ministro que desconhecia a organização de festas mundanas no Panteão, mesmo quendo as considerou inadmissíveis. E, no caso recente da "Raríssimas", muita gente sabia das ilegalidades sem que houvesse qualquer tipo de intervenção face às supeitas suscitadas meses antes, por denúncias repetidas, ainda que anónimas mas que só poderiam ter saído do interior da própria instituição, dado o conhecimento de seletivos pormenores.
É, afinal, a força do que, há muitos anos, se convencionou chamar o "Quarto Poder", o da informação, o do conhecimento, o da descodificação de processos menos nítidos. Aos órgãos de comunicação social se deve a denúncia e a mostragem de muitos casos que, aparentemente, não chegam aos gabinetes de quem tem a responsabilidade legítima de fiscalizar e promover a execução dos demorados e intrincados inquéritos e processos a que a eterna burocracia parece obrigar.
Honra seja feita a alguns (embora poucos) jornalistas que investigam e que lutam contra o alheamento e a inércia e que ocasionam depois, então sim, as correrias das entidades responsáveis, num esforço para fazer valer as suas razões e os seus argumentos (melhor dizendo a sua imagem) junto do povo que as elegeu.




