Sábado, 31 de Julho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A Foz do Sabor: uma surpresa

Era de calcular. Esta pandemia que se abateu sobre o mundo inteiro, que obrigou ao encerramento de muitas atividades económicas, culturais, desportivas e outras, ia ter consequências gravíssimas, em todos os sectores que dependam da livre circulação de pessoas. Nos últimos dias, a comunicação social tem enfatizado o sector do Turismo, porque em muitas regiões, em particular no Algarve, na Costa Vicentina, nas praias de norte a sul do país, o Turismo é a atividade dominante. 

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Com surpresa, e muita satisfação, no último fim de semana, ao deambular pelo Vale da Vilariça, desde Vila Flor até Moncorvo, demos com a Foz do Sabor, na altura em que este curso de água, entra no rio Douro. Centenas de carros, dois ou três milhares de pessoas espalhadas pela relva, meia dúzia de barcos de recreio e dezenas de pessoas dando já umas braçadas nas águas límpidas e calmas do Rio Douro – um verdadeiro lago criado pelo seu represamento na Barragem do Baixo Sabor. Percebia-se com facilidade que quem desfrutava deste idílico sítio não eram as populações locais. Era gente vinda de outras paragens. 

Veio-nos à mente também essa outra imagem da Barragem do Azibo, apinhada de banhistas, aqui sim, vários milhares que se espalham em redor das margens da albufeira, criada pelo represamento das águas do rio, construída com a finalidade primeira de irrigar o fértil vale a jusante.

E lembramos a primeira metade do século passado, antes de se criar a febre das praias da Orla Atlântica e do Algarve. Como é que se fazia turismo nessa altura?

Diríamos que, alguns poucos rumavam até á costa marítima mais próxima. Porém a deslocação mais normal era para as Termas, o que nesta nossa região do interior norte, havia muito por onde escolher: Vidago, Chaves, Pedras Salgadas e Carvalhelhos, exemplos ainda vivos do que era a forma de lazer ao alcance de apenas uma ínfima parte da população, designadamente de quem vivia no meio rural. As termas combinavam em simultâneo: os tratamentos médicos de quem deles necessitava e o turismo da natureza para os seus acompanhantes que podiam desfrutar dos frondosos parques, com todas as infraestruturas apropriadas – balneários, piscinas, lagos artificiais, campos de jogos, para além da estadia em belos hotéis, ainda hoje uma referência, e muitas casas, de privados, para alojamento.

Eram tempos esses, em que o interior do país existia e era fruído especialmente por quem vivia nas cidades. Este despontar agora pela natureza, pode bem estimular os governantes a olharem finalmente para o interior do país, que tem muitos outras riquezas por explorar.

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