Lamentavelmente os seus cidadãos preocuparam-se mais em fazer da história uma ocupação profissional, atraente e lucrativa, do que em averiguar as ocorrências espaciais e temporais que fizeram dela uma epopeia que brilhou pelos tempos adiante.
Já várias efemérides serviram para serem eleitas como datas da Fundação de Portugal. A última vez que mexeram nela, ao pretenderem eleger uma superior a todas as secundárias, entenderam fixá-la no 1º de Dezembro de 1640. Mas apenas se restaura aquilo que alguma vez existiu. O Parlamento não foi capaz de escalonar, de uma vez por todas, a cronologia histórica. Mais agravou a confusão porque, tão cedo, não voltam a esse tema.
Embora data muito simbólica, a Restauração já foi data comemorativa do nascimento de Portugal. Mas, quando muito, poderá considerar-se o renascimento. Em 1640, já Portugal tinha 512 anos de História.
Também já foi comemorado o 14 de Agosto de 1385, quando se deu a Batalha de Aljubarrota.
O Estado Novo escolheu o 10 de Junho, para dia da Raça, por ser o dia em que morreu Camões. Ora, por mais importante que Camões seja e a sua obra, Os Lusíadas, o maior Poeta Português não passou de ser um filho ilustre dos muitos que Portugal teve.
Os líderes do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, impingiram que desse golpe revolucionário nascesse a Ponte 25 de Abril. Puro e desonesto aproveitamento por que essa Ponte foi mandada construir por Salazar. E, enquanto não houver a coragem moral de recolocar a esse monumento o nome de quem a mandou construir, esses políticos não deverão considerar-se sérios, nem cultos, nem competentes.
O verdadeiro e único dia de Portugal só deve ser aquele que foi classificado por José Mattoso: «a primeira tarde Portuguesa de 24 de Junho de 1128».
Enquanto houve democracia em Guimarães (1976 – 1990) todos os partidos políticos, tiveram entendimento para exigir que os diversos governantes oficializassem essa data. Entre 1990 e 2018, essa data transformou-se numa cimeira anual de inaugurações. No dia em que Domingos Bragança anunciou que tudo vai fazer, para que o 24 de Junho de cada ano passe a feriado nacional, inaugurou ele «uma dezena de nove valências». Mais vale tarde do que nunca.




