Sábado, 2 de Julho de 2022

“A nossa missão é que os alunos sejam felizes”

Salvador Ferreira é diretor do Agrupamento de Escolas João Araújo Correia (AEJAC), em Peso da Régua, desde 2013, um cargo que quase se confunde com a criação do agrupamento, constituído no ano letivo 2010/2011.

Aceitou o desafio com “orgulho”, mas admite que “dá muito trabalho, porque temos muitas preocupações”. “É uma tarefa complicada, mas muito desafiante”, admite, acrescentando que “a nossa missão é que os alunos sejam felizes”.

“A nossa grande preocupação é o sucesso dos alunos, mas sabemos que nem todos podem tirar 20. Como costumo dizer, prefiro que tenham sucesso educativo e que sejam felizes”, refere, salientando que “temos alunos com médias elevadíssimas, mas a nossa principal preocupação é que aqueles que têm fragilidades na aprendizagem tenham as melhores condições possíveis e que aproveitem as oportunidades. Queremos, sobretudo, que se formem bons cidadãos”.

Este agrupamento é composto por dois Jardins de Infância (Galafura e Loureiro), dois Centros Escolares (Alagoas e Alameda), pela Escola Básica 2,3 e pela Escola Secundária João Araújo Correia, onde estudam quase dois mil alunos, vindos essencialmente do concelho de Peso da Régua, mas também de Mesão Frio e Santa Marta de Penaguião.
No caso dos Jardins de Infância, “estão localizados nos extremos do concelho e dão um certo conforto às famílias, porque evitam viagens para a Régua”, refere o diretor.

OFERTA EDUCATIVA

Com resposta desde o pré-escolar ao ensino secundário, o AEJAC tem uma oferta educativa diversificada, tanto no ensino regular como no ensino profissional, pensada “para responder às especificidades do território”.

A nível do ensino profissional, o próximo ano letivo terá dois novos cursos, Técnico de Vendas e também Rececionista de Hotel. Mas o que diferencia esta escola das demais é “a educação bilingue”. “Somos a única escola do distrito que tem esta educação especial para surdos”, admite, acrescentando que “eles têm uma perceção diferente da nossa e acabamos todos por aprender”.

“Somos a única escola do distrito que tem esta educação especial para surdos”
SALVADOR FERREIRA
DIRETOR AEJAC

Além disso, “ajuda na questão da integração”, admitindo que “as escolas precisam de mais técnicos de outras áreas, para haver uma abordagem diferente”.

Como fatores distintivos, Salvador Ferreira destaca, ainda, a atuação da equipa de inovação, que procura implementar estratégias e metodologias adequadas aos alunos do séc. XXI, como a Sala de Aula do Futuro, o programa de mentoria, a educação para a saúde e educação sexual, o desporto escolar ou projetos como o eco-escolas.

No que diz respeito à taxa de insucesso escolar, o responsável não esconde que “está acima do esperado”, sendo que “algum do abandono é motivado por situações que não conseguimos controlar. Esta é uma questão que me preocupa e é a nossa grande luta”.

“Nós estamos numa região onde a principal indústria é a agricultura, porque o turismo é mais sazonal. Temos que adaptar o nosso ensino às necessidades do território”, afirma.

PANDEMIA

Depois de dois anos letivos marcados pela pandemia, o diretor não esconde que “foi um período complicado, com muitas limitações”, mas, apesar de tudo, houve coisas positivas que ficaram.

“Montámos o sistema de aulas à distância num fim de semana, toda a gente reagiu bem, mesmo os professores mais velhos, que mostraram sempre vontade de aprender a trabalhar com as novas plataformas”, recorda, referindo que “acabou por ser um ponto positivo, porque tivemos necessidade de nos reinventarmos”.

Segundo Salvador Ferreira, “ainda hoje fazemos muitas reuniões online” e até os alunos, “quando têm alguma dúvida, mesmo estando em casa, ligam o Teams ou o Zoom e esclarecem tudo”.

DESAFIOS

À semelhança da vinha, também a escola tem o seu próprio ciclo, sendo que “quando termina um ano letivo, temos de começar logo a preparar o próximo. Chegamos a junho, terminam as aulas e começa tudo de novo. Temos que tratar das matrículas, das turmas, da requisição de professores, porque em setembro a escola abre novamente portas e tem de estar tudo pronto”, conclui.

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