Sábado, 2 de Julho de 2022

A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja

I – O Sínodo dos Bispos é uma instituição criada pelo Papa Paulo VI para ajudar o Papa a governar a Igreja. Reúne periodicamente em assembleias de Bispos idos de todo o mundo como delegados de todos os bispos para tratar temas concretos. A próxima «assembleia-geral ordinária», a realizar em Outubro em 2008, que será […]

I – O Sínodo dos Bispos é uma instituição criada pelo Papa Paulo VI para ajudar o Papa a governar a Igreja. Reúne periodicamente em assembleias de Bispos idos de todo o mundo como delegados de todos os bispos para tratar temas concretos. A próxima «assembleia-geral ordinária», a realizar em Outubro em 2008, que será a XII, é consagrada a «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja».

Esse tema havia sido sugerido por muitas Conferências Episcopais. Aconselha este tema a Eucaristia, tema do último Sínodo e com a qual está intimamente unida a Palavra; aconselham-no as «Assembleias dominicais na ausência do presbítero» que vão multiplicar-se; aconselha-o o interesse generalizado pela Bíblia, seja por intuitos comerciais sejam até pela acção das seitas; aconselha–o a catequese que se deve ser cada vez mais bíblica; aconselham-no os vários movimentos de espiritualidade; aconselha-o o movimento ecuménico entre as Igrejas cristãs.

Os bispos diocesanos já receberam de Roma um texto preparatório do Sínodo e é sobre esse texto que a nossa diocese é convidada a pronunciar-se para ajudar a preparar o texto definitivo no interior do Sínodo.

Por essa razão, o tema do ano pastoral que principia em Outubro e se prolonga até Julho de 2008 será: «A Igreja vive do Verbo»: a Igreja escuta, contempla, come, canta, celebra e difunde a Palavra.

II – Algumas acções devem ser feitas em cada paróquia de modo que se atinjam determinados objectivos:

a – A Palavra de Deus é uma pessoa – Jesus Cristo. Ele é o Verbo, a Palavra eterna. Todo a revelação do Antigo Testamento converge para Jesus e tudo o que é posterior explícita a mensagem de Jesus. Tanto a Bíblia escrita como a Tradição da Igreja são duas fontes que conduzem à única fonte – Jesus.

b – Em cada família haja uma Bíblia ou ao menos o Novo Testamento.

c – Aproveitar os tempos litúrgicos fortes (Advento-Natal, Quaresma-Páscoa) para despertar sentimento de afecto pela pessoa de Jesus, o Verbo do Pai, colocando a Bíblia junto do Presépio e junto da Cruz.

d – Na pregação recorrer mais abundantemente à Palavra de Deus, narrando episódios bíblicos, não se limitando a retirar do texto bíblico os aspectos éticos (como recomenda Bento XVI), e ultrapassando a especulação escolástica.

e – Na celebração dos sacramentos insistir que a Palavra é que ilumina e fecunda o gesto sacramental.

f – Durante o ano, em todas as paróquias far-se-ão cursos de iniciação ou aprofundamento bíblico sobre uma série de pressupostos da Palavra de Deus de modo que se torne claro o que é a Bíblia escrita e suas divisões gerais; a relação da Bíblia com a Igreja, quer na selecção dos livros quer na sua interpretação; distinguir a informação científica e história dos factos bíblicos e a interpretação espiritual dos mesmos factos e textos; a Palavra de Deus na Tradição apostólica; o Catecismo da Igreja Católica; o Missal e o Leccionário, os Rituais.

Não deve haver um catequista nem um crismando que não tenha noções gerais claras sobre esta variedade de livros e suas relações mútuas

g – Tentar exercícios específicos para os Leitores da celebração eucarística. Há paróquias exemplares, mas há outras que estão em zero: não há nenhuma compreensão do texto, nem capacidade de proclamação. Ninguém tem direito de «proclamar as leituras», mas só quem tiver capacidade, a juízo do pároco. Os pastores devem ser educadores e exigentes.

h – Também os salmistas e os grupos corais devem cingir-se aos cânticos com letra bíblica e música de compositores sacros, evitando cânticos de sentimentos vagos e moralistas.

i – Outro exercício a desenvolver em alguns grupos voluntários mais restritos é a lectio divina, como exercício meditativo e orante.

j – Promover colecção de frases que constituem adágios e ditos de sabedoria extraídos da Bíblia frequentemente utilizadas, tais como «os últimos são os primeiros», «quem se humilha será exaltado», «o óbulo da viúva», «pobre como Job», «regresso como o pródigo», «ser como Tomé», «fechado a sete chaves», etc. Este exercício pode ser feito com grupos de jovens, nomeadamente nos escuteitos, e despertá-los para outros sectores apropriados à sua problemática como seja o conhecimento dos muitos símbolos de plantas e de animais e a leitura da Criação.

l – Em grupos de estudantes, poderá reflectir-se na presença da Bíblia no mundo artístico. Há artistas (escritores, pintores, cineastas) que utilizam a Bíblia com grande profundidade religiosa (Gil Vicente, Camões, Claudel). Outros recorrem aos textos e factos bíblicos para um uso meramente estético. São os chamados «devotos laicos» da Bíblia, tais como Miguel Torga, Pasolini, o autor de «Jesus super-star» e outros. Mesmo assim, testemunham que a Bíblia é um «grande código», fonte de sabedoria e de beleza literária que nenhum homem culto ignora e, por isso, ela oferece recursos extraordinários para a vida do mundo e da Arte.

m – Nas paróquias retomar a norma canónica de oferecer aos fiéis alguns dias de pregação sistemática (c. 770).

III – Para o Clero e Professores de Educação Moral e Religiosa Católica devem organizar-se encontros especiais sobre esta temática.

Vivemos uma civilização da palavra, de muita palavra (escrita, falada, gravada) e por isso bastante desvalorizada, uma civilização tagarela. Mais uma razão para valorizar a Palavra eterna, a Palavra de Deus, sem a qual seríamos uma Igreja surda e muda, esmagada pelo mundo. A Palavra de Deus enche a Igreja do Senhor, de que são sinais visíveis o clássico púlpito e o ambão litúrgico.

 

D. Joaquim Gonçalves* Bispo de Vila Real

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