Domingo, 3 de Julho de 2022

A personalização da fé numa sociedade plural

As nossas terras vivem economicamente dependentes da emigração interna e externa, mormente para França, Suíça e Luxemburgo. Culturalmente vivemos numa sociedade subtilmente embalada em passatempos e fantasias que adormecem as pessoas, mormente os jovens, fortemente controlados por mecanismos de natureza comercial e emocional, à espera de quem decida por eles. É indispensável desenvolver nos jovens […]

As nossas terras vivem economicamente dependentes da emigração interna e externa, mormente para França, Suíça e Luxemburgo. Culturalmente vivemos numa sociedade subtilmente embalada em passatempos e fantasias que adormecem as pessoas, mormente os jovens, fortemente controlados por mecanismos de natureza comercial e emocional, à espera de quem decida por eles. É indispensável desenvolver nos jovens a capacidade de reflectir e tomar decisões pessoais.

 

Estas palavras fazem parte da reflexão que o senhor Bispo fez aos jovens das três paróquias de Ribeira de Pena no Domingo passado: o Salvador, Santa Marinha e Santo Aleixo de Além Tâmega.

A primeira é a maior e sede do concelho. Tem cerca de 580 famílias, com 2.200 almas e 600 emigrantes. Possui uma igreja monumental bem conservada, mas exigente. A antiga casa paroquial é usada actualmente para actividades catequéticas. A paróquia de Santa Marinha e a de Santo Aleixo situam-se na margem da estrada que sobe para Boticas. A de Santa Marinha fica logo à saída da vila, tem 245 famílias com 639 almas. A igreja paroquial é muito harmoniosa com bela talha e a porta principal voltada a poente como era habitual. Aí está actualmente a casa paroquial. A de Santo Aleixo, com cerca de 157 famílias e 363 pessoas, fica na margem direita do rio Tâmega, bem exposta a nascente, e, talvez por isso, aí se conservam várias casas senhoriais de algum relevo.

As três paróquias formam uma espécie de concha verde, totalmente agrícola.

A visita prolongou a Missão efectuada nas três paróquias durante a semana anterior pelos Padres Vicentinos. O trabalho da visita propriamente dita principiou na quinta-feira. Durante a tarde, o prelado visitou a Câmara Municipal, as duas escolas do ensino básico do Salvador e de Santa Marinha, e, com alguma demora, esteve no Centro de Saúde e na Santa Casa da Misericórdia onde encontrou uma creche com 23 crianças, a pré escola com 35, o ATL com 20, o lar de idosos com 46, o centro de dia com 10, fazendo ainda apoio domiciliário a 120 pessoas, além dos núcleos em Canedo. Ao fim da tarde, encontrou-se com os organismos pastorais das três paróquias, animando-os a prosseguir com as «assembleias familiares» nascidas da Missão. À noite reuniu com os mais de cem crismandos das três paróquias, na sua maior parte estudantes, a quem chamou a atenção para o novo clima cultural europeu da laicidade e a exigência de personalidades fortes. Falou ainda da personalização do acto de fé, bem expressa na fórmula sacramental do «quero» e «creio» da profissão de fé. Procurou ajudar os jovens a fazerem a leitura do ambiente social e cultural e o aproveitamento crítico dos seus estudos, evitando colocá-los em «gavetas» separadas, uma ao lado da outra, mas cruzando os dois mundos do saber.

No sábado de tarde celebrou a Eucaristia e crismou 13 jovens em Santo Aleixo, tendo pernoitado numa casa de turismo rural na paróquia. Nessa noite assistiu a um concerto musical constituído por uma nova versão da «TRAVESSIA» e organizado no Salvador pelas paróquias. No Domingo de manhã celebrou em Santa Marinha e crismou 42 jovens e de tarde no Salvador onde crismou 64 pessoas.

Nas homilias, o prelado comentou a afirmação de Paulo sobre a «necessidade de crescer na compreensão do mistério de Cristo» e lembrou que «o Natal não é propriamente a festa da família mas do nascimento de Jesus Cristo, «Deus connosco ou Emmanuel, que celebramos em famílias cristãs. É necessário dizer isto abertamente por causa da confusão comercial e laica que se difunde na sociedade. O acontecimento do Natal é algo absolutamente inédito na história das religiões, é o grande presente de Deus ao mundo e deve encher-nos de alegria mental e religiosa, pois a partir daí tudo se torna mais claro na compreensão de Deus, da vida do mundo e da religião».

No final da celebração, para fazer compreender os desafios postos aos mecanismos económicos, aos emigrantes, os comportamentos políticos e a viagem do Papa à Turquia, explicou o que é o clima de laicidade hoje vigente na Europa: os Estados cuidam do fisco, da segurança e da formação técnica dos cidadãos e não cuidam dos valores morais profundos da pessoa humana, da família, nem dos valores religiosos. Deixam isso ao cuidado de cada um, das famílias e das igrejas. Por isso, quando esses valores estão em causa, o cristão não pode apoiar-se nas estruturas oficiais nem dos partidos, tem de ser mais corajoso e decidido. Na altura do voto em questões morais profundas, como será o caso do referendo sobre o aborto, dará corajosamente o seu parecer baseado na sua consciência e não em orientações dos partidos.

No fim da Eucaristia do Domingo houve na antiga Casa do Povo um convívio para jovens e adultos das três paróquias.

É pároco das três paróquias o P. Fernando da Silva Matos, a residir em Santa Marinha, e que ainda dá umas aulas de educação musical no curso pastoral ministrado na Casa Diocesana, em Vila Real.

-PUB-

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