A revista Sábado na sua edição n.º 719, de fevereiro de 2018, publica uma extensa reportagem sobre este triste, lamentável e escabroso caso e as suas ramificações às atividades empresariais de Luís Filipe Vieira, com ligações a outros atores bem nossos conhecidos como, por exemplo, o empresário de futebol José Veiga, o antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, João Rodrigues e outros de menor relevância na vida pública portuguesa.
Como tem sido amplamente divulgado pela comunicação social, o juiz Rui Rangel é suspeito dos crimes de recebimento indevido de vantagem, corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influências e fraude fiscal. Segundo se percebe da referida reportagem, LFV e RR, de adversários e inimigos, na disputa às eleições do Benfica, tornaram-se amigos por interesses que nada têm que ver com o futebol. A troco dos serviços de intermediação de RR, nos processos fiscais em que algumas empresas de LFV estão envolvidas, este garantia aquele um cargo remunerado na futura direção da escola e da universidade que o clube da Luz pretende criar no Seixal, bem como dispensar-lhe-ia tratamento VIP, nas viagens do Benfica ao estrangeiro para assistir aos jogos nas competições internacionais.
Por outro lado, no que diz respeito aos negócios, refiro-me à investigação a LFV ainda antes de chegar à presidência do Benfica em operações financeiras contraidas junto do BPN, no valor de vários milhões de euros, que acabaram por se tornar ruinosas para o banco liderado por Oliveira e Costa. Mas, não foi só o famigerado BPN vítima dos negócios de LFV. O antigo BES, quando colapsou, ficou a arder com mais de 500 milhões de euros de dívidas provocadas pelas empresas do universo empresarial de LFV.
Esta promiscuidade e falta de vergonha, entre futebol, negócios e alguns magistrados (atente-se que a juiza desembargadora Fátima Galante também é arguida na Operação Lex), diz bem do tipo de sociedade em que vivemos.
Quando o cidadão comum entra em incuprimento, não amortizando os empréstimos contraídos à banca, vê logo os seus bens penhorados até à última gota. Estes figurões, porém, através de engenharias financeiras e outros malabarismos, conseguem prolongar, por anos a fio, os débitos de milhões, com perdões de milhares de euros à mistrura, e ninguém lhes vai ao bolso, como sói dizer-se.
Na realidade só podemos concluir que vivemos numa sociedade podre, sem escrúpulos e sem princípios em que, infelizmente, já nem os próprios orgãos de soberania, como são os tribunais, escapam à influência maléfica de alguns dos seus servidores.



