Sábado, 12 de Junho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A TAP Interessa?

O transporte aéreo interessa e muito. Não apenas no nosso país, mas a todos os países do mundo. Podemos imaginar o que seria do nosso planeta sem as comunicações aéreas. Seria o regresso ao século XIX , altura em que começaram os primeiros dirigíveis e se deram os primeiros passos com aeronaves, de que praticamente já se perdeu a memória. 

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Só na década de quarenta, do século passado, é que os governantes de então tiveram o arrojo de fundar uma empresa de navegação aérea, percebendo que seria este tipo de transporte que ajudaria a desencravar o subdesenvolvimento. Seria imperdoável não recordar o nome do General Humberto Delgado, então diretor do Secretariado da Aeronáutica Civil que por Ordem de Serviço a fundou, e sob sua alçada cresceu. 

Como se percebe, naquela altura só com meios próprios cada país poderia aspirar a este tipo de transporte, o que não sucede hoje, felizmente. Vejamos então o que está a acontecer neste preciso momento com a nossa transportadora aérea. A comunicação social, com regularidade, faz notícias como: “TAP perde 60 milhões de euros por mês, no ano em curso”. 

Mesmo sem pandemia, refere-se que, apenas no ano transato, a TAP encerrou as contas com um déficit de 1.200 milhões de euros, o que obrigou a uma injeção financeira de mais de 500 milhões, para não deixar precipitar esta catástrofe. Coloca-se então a questão: apoiar mais ou deixar falir? É o próprio ministro da tutela, Pedro Nuno Santos, que já explicou por que razão haviam sido dispensados 1.200 trabalhadores, afirmando que não podem ficar na empresa pessoas que não tenham trabalho, e que até ao final do ano, ainda virão a ser dispensados mais 400, pelas mesmas razões.

Numa análise no Expresso (24 out), sobre este assunto lê-se: “perante a incerteza, vários perguntas ecoam no mundo da aviação e a TAP não é exceção: será preciso uma nova vaga de ajudas do Estado para salvar as companhias aéreas? E que montante terá? Vale a pena continuar a financiá-las, a lançar-lhes dinheiro para cima, ou é melhor deixá-las ir à falência ou nacionalizar?” 

Temos para nós que, no nosso país, os sindicatos dos trabalhadores da TAP, têm tanta força via CGTP, que será difícil, ou mesmo impossível pensar em qualquer destas duas hipóteses. E temos também como certo que os efeitos na economia da maior parte dos países, incluindo o nosso, nos anos mais próximos, vão ser devastadores, o que determinará grandes restrições na mobilidade dos cidadãos, entre países e mesmo dentro dos próprios países. Será que empresas de aviação tipo low-cost não resolveriam melhor do que companhias de bandeira, como é esta nossa gigantesca TAP? 

Deixamos a interrogação.

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