Metade das pessoas que se suicidam são idosas, na sua maioria homens; a região do Alentejo é a que tem a mais alta taxa de suicídio. Todos temos culpa nestes números, porque damos pouca atenção e importância aos idosos e alimentamos um ambiente geral de indiferença pelos mais velhos. Como disse um dia Gandhi, a grandeza de uma sociedade vê-se na forma como trata os mais frágeis.
Como impera atualmente uma visão hedonista, produtiva e utilitária da vida, já se percebeu há muito que os mais velhos são o elo mais fraco nas sociedades atuais. Não falta quem lhes lembre todos os dias de que estão cá a mais, são um peso e um estorvo para os outros, que “têm mais que fazer” do que estar a perder tempo com quem já não tem saúde e não ganha dinheiro. Será que temos o direito de cometer tamanha desumanidade? Os mais velhos são forçados a pagar a fatura da sociedade do bem-estar, que os sábios contemporâneos tentam construir a todo o custo. Porque quando se fala de bem-estar, fala-se em sentido egoísta – o meu bem-estar – desenvencilhando-me de tudo o que me importuna e estorva, sejam bens ou pessoas. Sem qualquer sensibilidade humana e social, e já nem digo gratidão, porque está em crise há muito tempo, condenamos os mais velhos a um fim de vida cheio de solidão, abandono, exclusão social, desespero e amargura, ao qual muitos não resistem, optando pelo suicídio. A ciência médica lança cada vez em maior número medicamentos que aumentam a longevidade da vida humana, não faltando quem se congratule com isso todos os dias. Mas para quê? Para se acabar assim, abandonado por tudo e por todos, sem uma réstia de carinho e de esperança ou a dar a impressão de que se é um empecilho para os outros?
Nunca é demais lembrar que as pessoas são o mais importante da vida e nada deve estar acima delas. Todos temos o dever de cuidar uns dos outros, sobretudo dos mais frágeis. Os mais velhos, que muito deram à sua família, ao país, aos seus amigos e à nossa peregrinação histórica, merecem um fim de vida realizado, digno e humano. E a nossa sorte é que temos uma rede de lares, que realizam um trabalho de grande apreço neste campo, porque, então, meus amigos, os números seriam bem piores.
A triste velhice
De vez em quando, vão surgindo notícias da grande ocorrência do suicídio nos mais velhos.



