Quarta-feira, 14 de Abril de 2021

A tua cara não me é estranha

Comecemos por evocar Guerra Junqueiro: “Quando a alma, ao termo de mil hesitações e desenganos, cravou as raízes para sempre, num ideal de amor e de verdade, podem calcá-la e torturá-la, podem-na ferir e ensanguentar, que quanto mais a calcam, mais ela penetra no seio ardente que deseja”.

Desde sempre tive para mim a ideia de que as decisões, independentemente da esfera em que se inserem, devem assentar no coração e na razão.

Porque é desta simbiose que se alimenta um ideal, e é a partir deste que se constrói um caminho. Ter um ideal, é defende-lo, é ter convicções no que se acredita. É estarmos, naturalmente, sujeitos à crítica, e nessa medida submetidos a um escrutínio. Risco de quem governa? Não!

Privilégio de quem foi convocada, na circunstância, por escolha livre dos cidadãos, para liderar. Mas estar sujeita à critica, tem inúmeras vantagens!

Não apenas pedagógicas, que decorrem do normal confronto numa Democracia (costuma-se dizer que da diversidade nasce a luz), mas também, por aquilo que nos fortalece e inspira!

Que maravilha, quando somos vítimas do insulto de gente corajosa escondida no anonimato de uma página de Facebook! Ah, que educação social tão brilhante!

Que Primavera de vida, quando gente, certamente intelectualmente robusta, saltita de página em página falsa de Facebook, buscando palavras no mais puro dos ódios, para, destemidamente, fazer o contrário dos cobardes: não dar a cara!

Oh sal da terra, citando Padre António Vieira! Mas haverá maior favor, para o escrutínio que nos possam fazer, do que apreciar Cidadãos, indiscutivelmente de boas maneiras, discorrer fel, porque, derrotados diariamente pelo espelho, nada lhes sobra, a não ser rancor?

Oh espelho meu, espelho meu…perguntam eles, em tarefa infatigável, à espera que o espelho lhes minta! Mas que delícia, dia após dia, gente obviamente de bem, com inestimáveis provas de conduta, tomarem-nos como saco de boxe para ludibriar as suas tormentas existenciais! Como lhes estou grata!

E como não lembrar aquelas farpas que tanto doem, construídas por quem nunca nada fez, nada faz, nada fará, porque a sua incapacidade ainda consegue ser mais saliente que a destreza com que se corroem, diariamente?

Ah gente afortunada! Tão bem com a vida! Tão harmoniosos que são! Pois, em boa hora lhes peço: nunca se cansem! Energia no rancor e força no ódio!

Como não lhes ficarmos gratos, por cada insulto pregado, por cada infâmia espalhada, por cada perseguição doentia a quem governa, a quem trabalha, a quem produz?

Pois se estão a espalhar a mensagem do que são e ao que vêm, esquecendo-se, todavia, que nada escondem…

No entretanto, prosseguimos. Para fazer o que ainda não foi feito, como nos lembra a canção. Mas principalmente, para e pelas pessoas. Lado a lado, pela sua dignidade. Pela nossa. Por quem a tem.

Para bom entendedor… grata!

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