Quinta-feira, 19 de Maio de 2022
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

A vacuidade do discurso racista

Não percebo onde é que muitas pessoas vão buscar tanta certeza de que são de certa raça, como leio em jornais e vejo na televisão em debates.

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Não sei a que “raçómetro” se submeteram para afirmarem cristalinamente que são de uma raça e não de outra, ou que estudo laboratorial fizeram para afirmarem categoricamente que são de um certo tipo de raça humana. Mas faz algum sentido falar-se de raças humanas entre pessoas humanas? Alguém tem a certeza de onde veio e de que genes é feito? Se nos déssemos ao trabalho de ler aturadamente um pouco de história, prenhe de invasões, diásporas, missões, fugas, movimentações, viagens, cruzadas, descobertas, explorações, expedições, transumâncias de toda a espécie, restar-nos-ia perceber que somos um mistério e uma amálgama de células e genes que só o Espírito Santo poderá decifrar. Sabemos lá nós de que raça somos! Não existem raças humanas, existe é a natureza humana, presente em pessoas de origens diferentes, de etnias diferentes, com línguas e culturas diferentes, mas todas iguais e com dignidade igual, com os mesmos direitos e os mesmos deveres. Como diz Leon Tolstoi, no seu livro Ressurreição: “Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos”.

Considero o discurso à volta das raças humanas uma mistificação e uma construção intelectual com pés de barro, sem qualquer fundamento, um debate estólido, infelizmente, ao serviço de muitos que parece que precisam de arranjar formas de diferenciação dos outros e de se sentirem superiores, de inventar causas e inimigos para combater ou desprezar, de aprovar suposições e narrativas que só existem nas suas cabeças, mas fazem-no absortos no reino da fantasia. E quando ouvimos proclamar que há uma raça humana mais legítima, pura e distinta do que as outras, possivelmente mais apurada e inteligente do que as outras, a glorificação da supremacia de umas pessoas sobre outras, só nos resta responder com uma trovosa gargalhada e uma rotunda reprovação.

Há que desmascarar e manifestar uma profunda repulsa por todo e qualquer discurso que sustente diferentes raças humanas. Uma pura falácia. Existem pessoas. O rasto tenebroso e bárbaro que este tipo de teorias mistificadoras e diabólicas, levadas ao extremo, deixou na história humana, já nos deveria ter ajudado a abdicar destes discursos e a termos mentes mais arejadas e menos pérfidas.

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