Há que atacar as causas que estão por detrás do fenómeno da violência escolar. Duas parecem-me evidentes: instabilidade da família e falência da educação familiar. O que é que se educa e quem educa, hoje, dentro da família? Muitos pais, hoje em dia, preocupam-se pouco com a educação dos filhos, sobretudo na sua dimensão moral. Muitos passam pouco tempo com os filhos e vivem completamente alheados do rendimento escolar e do comportamento humano dos filhos. Em casa, vivem-se relações familiares frias e distantes, deixou de se cultivar o convívio aturado e salutar, a escuta, a partilha da vida, impera o individualismo dos comportamentos. O grande educador de muitas crianças e jovens está a ser o telemóvel. Cedeu-se o lugar a uma educação hedonista e permissiva, em que tudo tem de ser fácil e prazenteiro, em prejuízo da exigência que ajuda e faz crescer, não se transmitem os valores fundamentais e os princípios básicos de um ser humano saber estar com os outros, a disciplina, o saber viver com limites e com regras, o ter postura e compostura diante dos outros, a capacidade de sacrifício, de entrega e dedicação. Sem uma mudança de rumo na educação familiar e sem uma maior responsabilização e presença dos pais continuaremos a perpetuar a violência escolar.
Depois, também temos a falência da sociedade, que se repercute no ambiente escolar. Atualmente imperam e dominam os valores materiais e seus sucedâneos. O que importa é ter dinheiro, poder consumir, usar e ter todos os serviços. Não se olha a meios para atingir os fins e a realização de todos os desejos e interesses, sem respeito pelos princípios e destruindo o outro se for preciso. Pela televisão passa todos os dias o ódio pelo outro, a mais básica falta de empatia pelo outro e pelo seu sofrimento, o desrespeito pela diferença e pela personalidade e identidade de cada ser humano ou de grupos. Vivemos num tempo de crise dos bons valores, sobretudo dos bons valores humanos e sociais. Não há escola que aguente.




