Algazarra

Começou em algazarra menor e terminou em algazarra maior. Falo desta Legislatura e do encerramento dos trabalhos na Assembleia da República. Olhando para trás, e vendo o que por lá se discutiu e falou, pouco se aprendeu. Ou melhor: aprendeu-se a refinar a má educação, aprendeu-se a berrar, aprendeu-se a disparatar. E o órgão máximo da nossa vida pública, sobre o qual recaem as responsabilidades de gerar as leis que nos governam, mas também de ser um inequívoco e exemplar meio pedagógico de intervenção junto da população de um país que é, na sua grande maioria, ignorante e iletrada, acabou por ser o pior mensageiro dessa pedagogia. E não foi somente ao Senhor Primeiro-ministro, que desde logo estabeleceu um sistema de afrontamento, nem aos ministros que, frequentemente, perderam a serenidade, a que se deve a algazarra. Os senhores deputados também têm sérias culpas no cartório.

Ouviram-se insultos velados a este ou aquele, vindos das bancadas, insultos que, por vezes, nem nas peixarias se ouvem. Assistiu-se à aprovação de legislação incompetente, viram-se sessões com bancadas vazias, olhou-se para deputados que não disseram uma palavra em quatro anos. No fundo, tem toda a razão de ser quando se afirma que este órgão se desprestigia dia-a-dia. E a culpa é dos senhores deputados, a maioria sem preparação sequer académica, preparação de vida, experiência provada, ou sensatez à margem das conveniências partidárias. É certo que a democracia não se faz sem partidos, mas é preciso que os partidos entendam que são uma parte da democracia. Não são o todo.

Profundamente defraudado, é como me

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