Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Alta velocidade

As legislativas trouxeram temas de interesse nacional, como é este da ferrovia. Não sabemos quem o colocou sobre a mesa, mas chegou na altura certa.

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Porque os comboios que temos estão de facto em muito mau estado, a cair aos pedaços como sucedeu há tempos na Linha do Minho e como nós próprios podemos testemunhar pelo mau serviço que é prestado na Linha do Douro. 

Vejamos melhor o que está em causa. A Linha do Norte (Porto/Lisboa) aguenta por mais quanto tempo? As mercadorias continuam a sair do país essencialmente pela rodovia, sem poderem circular na ferrovia de bitola europeia. Continuamos a enviar semanalmente mais de 13 mil camiões para a Europa. 

Treze mil! 

Até quando deixarão, os espanhóis e os franceses, passar as nossas exportações de elevada pegada carbónica?

Porque, se há uma meta em curso, para atingir a neutralidade carbónica até ao ano de 2050, claramente que é no setor do transporte de mercadorias por camiões, que se devem começar a tomar medidas concretas.

Na verdade, hoje já há combustíveis alternativos ao gasóleo, como é por exemplo o gás natural, que é muito mais económico, e é uma energia muitas vezes mais limpa. No entanto, a solução final passará sempre por reduzir o número de viaturas pesadas na rodovia. E isso só se conseguirá através de ligações em alta ou menos alta velocidade, das nossas vias férreas ao país vizinho, em bitola europeia.

Desde logo, no eixo Norte/Sul, desde Faro até Valença do Minho e pelo menos duas linhas transversais: uma que ligue o Porto de Leixões a Salamanca, por Barca d’Alva (Linha do Douro) e outra desde Lisboa até à fronteira no Caia/Elvas.

A reconversão da Linha do Douro, já, por diversas vezes, foi tema neste nosso apontamento semanal. E esta chamada de atenção tem agora um redobrado interesse, na altura em que decorre ainda uma Petição Pública, promovida pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e pela e pela Fundação Museu do Douro, tendo como finalidade levar o assunto a discussão na Assembleia da República, assim obrigando o Governo, seja ele qual venha a ser, a inscrever este investimento em próximo Orçamento de Estado.

Lembramos até, que a Comissão Europeia, conforme já aqui abordámos, através de uma Comissão Especial, apontou o eixo ferroviário do Porto/Barca d’Alva/Salamanca, como uma prioridade para as ligações transfronteiriças na União Europeia, o que deixa antever que não haverá dificuldade em financiar, via Fundos de Coesão, esta esquecida via de circulação, deixada ao abandono, há mais de 50 anos. Com as consequências de despovoamento a que votou todo o Alto Douro Vinhateiro e Trás-os-Montes, por arrastamento.

Dois grandes objetivos que muito nos dizem respeito: a descarbonização e as metas que o nosso país deve atingir até ao ano de 2050, e particularmente para nós, que vivemos nesta região, o desencravamento do desenvolvimento a que também temos direito.

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