Vila RealAlunos tomam conta de estufa e vendem produção a baixo custo

Alunos tomam conta de estufa e vendem produção a baixo custo

Cerca de 250 quilos de alfaces estão a ser colhidos em duas estufas da UTAD graças à iniciativa e empenho de um grupo de alunos que, além de aproveitarem a oportunidade de aprenderem ‘com as mãos na terra’, ajudam outros estudantes e instituições a ter verduras e legumes a preços mais baixos. A ideia é envolver mais alunos para que o projeto se prolongue no tempo.

“Hoje vamos entregar 90 quilos de alface à cantina”, confirmou ao Nosso Jornal um dos oito alunos que integra o projeto de aproveitamento de algumas estufas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para a produção e venda de produtos agrícolas a baixo custo para alunos e outras instituições da cidade.

Pedro Moreira, Emídio Dias, Romeu Cardoso, Pedro Carvalho, José Carvalho, Cristiana Teixeira, Gonçalo Dinis e Raquel Ribeiro, alunos dos cursos de engenharia agronómica e zootécnica, organizaram-se e apresentaram a proposta de dar vida a duas estufas da academia que não estavam a ser utilizadas.

“Sentimos falta de mais uma componente prática e decidimos fazer uma proposta ao nosso departamento, na qual nos responsabilizávamos pelas estufas”, explicou Pedro Moreira, sublinhando que o objetivo seria “dar um apoio às aulas” e, ao mesmo tempo, vender as produções aos alunos.

O projeto passou da ideia à prática e desde o ano passado que os alunos começaram a cultivar. Numa primeira experiência produziram várias culturas, mas foi este ano que conseguiram efetivamente começar a produzir em maior quantidade. “No total esperamos ter entre 200 e 250 quilos de alface”, contabilizou o aluno no dia em que, logo pela manhã, foi entregue uma encomenda de 90 quilos à cantina da universidade.

Garantindo sempre preços “mais em conta”, o objetivo é vender os produtos mais baratos aos estudantes, e às instituições cobrar mais ou menos o valor “praticado no mercado”.

Em termos de rendimentos, os estudantes explicam que têm, pelo menos, que recuperar o investimento feito na produção, no entanto garantem, desde logo, que qualquer lucro obtido será aplicado na manutenção das estufas e em novas produções ou em outros projetos relacionados com os estudantes, como por exemplo, a organização de congressos ou seminários relacionados com o setor agronómico.

Apesar das culturas exigirem a dedicação dos alunos, Romeu Cardoso explica que dividindo o trabalho entre todos torna-se mais fácil. “Temos a sementeira, temos que tratar da rega, temos que abrir e fechar a estufa todos os dias… mas fazemos isso tudo à vez. É fácil porque todos ajudam”, explicou o aluno, recordando que as estufas tinham um funcionário que ano passado faleceu e acabou por não ser substituído.

“Tem uma grande vantagem: ganharmos experiência. Vamos fazendo alguns trabalhos e vemos como correm as produções”, explicou Romeu Cardoso, que anteriormente apenas tinha a experiência de ajudar a mãe “no quintal de casa”, mas nunca tinha trabalhado numa produção de maior dimensão.

Relativamente ao futuro do projeto, Emídio Dias explica que a próxima produção a avançar, sempre com a orientação do professor Fernando Martins, deverá ser de feijão-verde, que, tal como aconteceu com as alfaces, será vendido tendo como prioridade os alunos.

Os alunos estão também empenhados em envolver outros colegas no projeto, para que este tenha continuidade mesmo depois do grupo ter concluído o seu percurso académico, o que, para a maior parte deles deverá acontecer já este ano letivo ou no próximo.

Apesar de reconhecerem que a nível profissional atualmente não é possível fazer grandes planos, os três alunos são unânimes ao adiantar que quando acabarem o curso vão mesmo apostar no mundo rural, quer seja na agricultura, quer seja na produção animal.

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