Anedotário

Os ministros da economia costumam ser clientes assíduos do anedotário político nacional. Tivemos Manuel Pinho que num belo dia de debate parlamentar se lembrou, do alto da sua tribuna ministerial, de apontar uns cornos para o deputado Bernardino Soares e, antes dele, aquele que olhava para além-Tejo e só conseguia vislumbrar um deserto. O Álvaro Santos Pereira ainda não havia, digamos, tido a honra de assinar tão relevante apologia. É certo que se pressentia: o homem não consegue, definitivamente, acertar com o fuso horário no qual assenta o país.

Segunda-feira, em plena Comissão de Finanças e Trabalho, na audição parlamentar sobre Orçamento de Estado, Álvaro Santos Pereira afirmou, categoricamente (sem mesmo prescindir do assertivo advérbio “certamente”) que “2012 será um ano determinante para Portugal e para a economia portuguesa [porque] certamente irá marcar o fim da crise e será o ano da retoma para o crescimento de 2013 e 2014”. Entusiasmado, adiantou: “que não exista qualquer dúvida: este caminho será mais rápido e mais frutuoso se formos capazes de reformar as áreas que representam hoje os verdadeiros obstáculos à modernização e que nos separam da performance económica dos nossos parceiros, nomeadamente europeus. Reformar é a palavra-chave para um caminho sustentado a longo prazo.”

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