Vila RealAniversário das corridas passa em branco

Aniversário das corridas passa em branco

Ontem completou-se 80 anos desde que os carros ‘rasgaram’ pela primeira vez o mítico circuito de Vila Real. Uma data que passou em branco, sem velocidade nem adrenalina, sem bolo ou comemorações. A marcar a efeméride apenas uma exposição organizada por António Costa Paulo, um dos amantes do desporto automóvel que viveu de perto a história das corridas vila-realenses. Em agenda ficam as promessas da construção do novo PADDOCK e de um programa comemorativo do aniversário para 2012 e o sonho de ser criado um museu dedicado ao Circuito.

“O projecto do PADDOCK continua de pé”, garantiu, ao Nosso Jornal, Domingos Madeira Pinto, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real, no dia em que o Circuito de Vila Real completou 80 anos desde a sua primeira realização, uma comemoração triste, marcada não só pela suspensão da edição deste ano como pela inexistência de qualquer iniciativa institucional para assinalar a data.

Segundo o mesmo responsável, “tudo está em aberto” para a realização, em 2012, da 44ª edição do Circuito Automóvel, sendo de sublinhar que a interrupção deste ano justifica-se com três importantes factores, “o financeiro (contenção de gastos da autarquia), o desportivo (a fraca participação de pilotos devido à crise) e o social (a prioridade dos investimentos municipais na vertente social)”.

Relativamente ao aniversário do circuito, Madeira Pinto defende que a iniciativa de assinalar a data deve partir do Clube Automóvel de Vila Real (CAVR), sendo certo que a câmara continua disponível para analisar e, se possível, apoiar a organização de um programa ou de um evento comemorativo.

Por sua vez, Jorge Fonseca, presidente do CAVR, reconheceu que a ideia de assinalar a data “chegou a ser discutida”, no entanto, a falta de recursos financeiros limitou qualquer iniciativa. “Não havendo corridas também não faz muito sentido. Qualquer comemoração não seria motivo de festejo, mas mais um momento de lamento”, sublinhou o dirigente associativo.

Mas fica a promessa de um programa comemorativo em grande, “um momento marcante para a cidade, para a região e para o país”, tal como “o Circuito de Vila Real merece”. A certeza foi deixada ao Nosso Jornal por Paulo Costa, director-geral da Global Sport, empresa parceria na organização das corridas de Vila Real.

Segundo o mesmo responsável, a ideia era fazer um evento ainda este ano, no entanto, cortes nos apoios previstos pela Entidade Regional do Turismo do Porto e Norte impossibilitou a organização. “Estamos a preparar iniciativas interessantes para a edição do próximo ano”, garantiu o mesmo responsável, deixando a certeza que as 80 décadas do circuito não vão passar em branco.

De recordar que, a prova deste ano chegou a estar marcada, estando previsto que se realizasse no fim-de-semana passado.

 

Bancadas a Monumento da Cidade e criação do Museu do Circuito

 

“Que as bancadas do Circuito de Vila Real (boxes) sejam consideradas monumento da cidade e o seu interior seja aproveitado para um museu”, essa foi a proposta deixada por António Costa Paulo, ex-piloto, amante incondicional do desporto automóvel e responsável pela organização da exposição comemorativa dos 80 anos das corridas que se encontra patente, até ao dia 19, no Centro Comercial Dolce Vita Douro.

O vila-realense explica que já está a organizar um museu pessoal da sua carreira desportiva e das corridas de Vila Real, no entanto, sublinha a necessidade de reunir o vasto espólio existente antes que este se comece perder.

Na exposição pode encontrar-se uma colecção de cartazes bem como vários tipos de objectos relacionados com as corridas de Vila Real, desde a sua criação, em 1931, alguns deles já cedidos por outras pessoas. “Tenho um livro onde registo as doações, que serão incluídas no futuro museu”, explicou Costa Paulo, pedindo então às pessoas que contribuam.

Jorge Fonseca considera que a proposta da criação do Museu na estrutura das bancadas, inauguradas no início da década de 70, não será a melhor solução para a localização do museu, tendo em conta que, além de se tratar de um espaço com uma área reduzida, encontra-se actualmente bastante degradado devido ao passar o tempo e com graves problemas de infiltrações.

Mais, o presidente do CARV refere que todo o espólio do Clube Automóvel já foi entregue aos serviços de cultura da autarquia com o objectivo de vir a ser criado o núcleo museológico, provavelmente no edifício do Teatro de Vila Real.

 

Um Circuito com história…

 

“Foi no início do século passado que um grupo de homens, liderado por Aureliano Barrigas, idealizou um dos maiores eventos desportivos da Região e do País: o Circuito de Vila Real, considerado ainda hoje um dos mais belos e míticos circuitos europeus”, assim se começa a contar a história das corridas de Vila Real.

Contam os historiadores que “na organização do primeiro circuito, Aureliano Barrigas teve ao seu lado o progenitor, Manuel Lopes Barrigas, o representante local da Ford, Luís Taboada, e o presidente da autarquia, Emídio Roque”.

A primeira bandeirada de partida do circuito aconteceu a 15 de Junho de 1931, sendo o vencedor da primeira edição o automobilista Gaspar Gameiro.

Durante sete anos, o Circuito foi organizado de forma regular, passando a incluir em 1938 as motos. “Apesar das constantes interrupções, a paixão pelo barulho dos motores e o bichinho do automobilismo explicam a subsistência do evento”.

No final da década de trinta, devido à segunda guerra mundial, a organização do Circuito foi obrigada a fazer a primeira pausa, que durou uma década.

Ao longo dos seus 80 anos de histórias, muitos episódios felizes e menos felizes ficaram na memória dos vila-realenses e do país, sendo de destacar, em 1991, o acidente que provocou a morte a quatro espectadores.

Em 2007, 16 anos depois do trágico acidente, o circuito renasceu na sua 40ª edição, e, embora tenha visto o seu percurso original encurtado (4,6 quilómetros ), voltou a movimentar multidões e fazendo ressurgir na população de Vila Real o carinho e a paixão pelas velocidades.

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