Dos cerca de 400 professores que estavam inscritos em Vila Real para fazer a prova de avaliação exigida pelo Governo, apenas nove acabaram por a executar, sendo de sublinhar os protestos e as palavras de ordem que ontem se fizeram ouvir nas escolas secundárias São Pedro e Morgado Mateus.
Ainda não eram nove da manhã quando se começaram a juntar os professores em frente à escola São Pedro, tendo sido mesmo a escola fechada a cadeado. Apesar do cadeado ter sido cortado, os docentes conseguiram impedir que a maior parte dos professores inscritos entrassem no recinto da escola, tendo ainda assim feito a prova nove pessoas.
Se na São Pedro houve alguns momentos de maior tensão, em resultado de alguns professores terem pedido a dois agentes da polícia para serem escoltados à entrada da escola e na altura em que alguns docentes forçaram a entrada, na Morgado Mateus o cenário não foi diferente, sendo que naquela escola não houve mesmo qualquer prova feita.
“Estamos a tentar sensibilizar os colegas para não entrar, mas também estamos dispostos a ir até ao fim e impedir a entrada. Este boicote é uma causa justa”, explicou Carlos Almeida, professor há menos de cinco que estava inscrito na prova mas que adiantou logo ao Nosso Jornal que não a ia fazer.
O professor defende que o objetivo do Governo não é avaliar a qualidade dos profissionais, é sim “eliminar os professores”. “Se queriam uma prova a sério davam uma prova para todos, não apenas para aqueles que têm menos que cinco anos de serviço, aí sim faziam a seleção”, defendeu.
Helena Maria Amorim, professora do 1º ciclo, já não tinha a certeza se iria ou não fazer a prova, mas garantiu que irá ficar “ao lado da maioria”. “Acho que devemos lutar. Esta prova é injusta e eu prefiro ficar ao lado dos meus colegas”, adiantou.
Os dois estudantes, naturais de Vila Real, têm menos anos de serviço e encontra-se em situações complicadas, contando com poucas horas de aulas por semana. “Na plataforma há horários disponíveis, com três, duas e até uma hora por semana”, sublinhou Carlos Almeida para retratar a precariedade em que trabalham alguns docentes, sobretudo os que estão nas Atividades de Enriquecimento Curricular, que não recebem como professores mas como técnicos.
Carlos Taveira, do Sindicato de Professores do Norte, que também marcou presença no protesto, sublinhou também a injustiça da prova. “Esta prova, que nada prova, é apenas mais um humilhação aos professores que têm dado o seu melhor ao longo de anos”, lamentou o sindicalista, deixando ainda um apelo às universidades para que tomem uma posição, afinal, esta medida do Governo representa também um “atestado de incompetência às instituições de Ensino Superior que formaram os professores.
Aliás, à hora de fecho desta edição do Nosso Jornal, e numa altura em que os professores continuavam concentrados à porta da escola São Pedro, o representante do Sindicato de Professores adiantou que o grupo estava a ponderar deslocar-se à UTAD também em forma de protesto.
De norte a sul do país, os professores mostraram a sua indignação participando no boicote, sendo que no total mais de 13 mil professores terão feito a prova.
De recordar que, a prova de avaliação dos professores foi anunciada no verão e deveria abranger todos os professores. No entanto, em novembro, na sequência de uma reunião com sindicatos da Educação, afetos à central sindical UGT, nomeadamente a Federação Nacional da Educação, o ministério estabeleceu que apenas os professores com menos de cinco anos de carreira fariam a prova.



