Sábado, 16 de Outubro de 2021

Apicultura desregrada preocupa Associação

Há indivíduos de outras localidades do país a praticar apicultura “selvagem” e desenfreada nas zonas serranas da região. Esta situação está a preocupar a recém-criada Associação de Apicultores do Marão, Alvão e de Vila Real, APMVRL, que acusa estes produtores de extraírem o mel e depois abandonarem as colmeias, deixando os enxames infectados por doenças.

-PUB-

O exercício ordenado e controlado da apicultura ainda está longe de ser atingido. A certificação da produção e origem do mel é um processo em fase embrionária e os exemplos na região transmontana e duriense contam-se pelos dedos. Por outro lado, os tratamentos sanitários nos colmeais são também um exercício que carece de vigilância, em termos de saúde pública. A região é um exemplo da falta de ordenação e regulação da actividade, mais propriamente nas serras do Marão e Alvão, autênticos cemitérios de colmeias abandonadas por indivíduos sem escrúpulos.

“Há apicultores de outras zonas que vêm para aqui e colocam centenas de colmeias junto às nossas, só que, depois, acabam por não levar as que ficam doentes. Se andarmos pelo Marão e pelo Alvão encontramos muitos destroços de colmeias abandonadas e com doença”, contou Américo Carriço, presidente da APMVRL.

O efeito desta situação tem sido devastador, por isso a agremiação quer controlar o território ao nível de sanidade, porque as doenças das abelhas têm destruído bastantes colmeias. Não respeitam os limites de apiário para apiário e depois levam daqui o mel e misturam com outros”.

Um outro dirigente, Rui Peixoto, pormenorizou a situação vigente e referiu que a maioria dos produtores vem de Gondomar. “Este esquema afecta as nossas colmeias e nós pretendemos evitar esta situação. Eles têm a floração mais cedo, por isso fazem o tratamento às suas abelhas logo em Fevereiro. A nossa floração começa mais tarde e o tratamento também é feito mais tarde, e como eles colocam as colmeias perto das nossas, elas acabam por ser infectadas, pois o tratamento que é feito mais cedo não tem a mesma eficácia. Ainda por cima deixam ficar as colmeias doentes e velhas”.

Rui Peixoto alega ainda que estes produtores colocam logótipos com as serras transmontanas nos frascos, mas o que contêm são misturas com outra qualidade de mel. Para defender os interesses dos apicultores da região e evitar esta exploração selvagem da apicultura, a APMVRL está disposta a lutar e a alertar para esta situação. “Queremos criar uma zona controlada para manter a qualidade do nosso mel. Porém, temos que ter um certo número de sócios e de colmeias para poder concorrer à criação dessas zonas”, concluiu.

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

Mais lidas

ÚLTIMAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.