Domingo, 14 de Agosto de 2022

“Aqui lançam-se treinadores e novos jogadores para outros patamares”

Francisco José Carvalho, presidente do Grupo Desportivo de Chaves Futebol, SAD., em entrevista à VTM, deixou claro quais são os objetivos a alcançar na próxima época. Ao mesmo tempo, revelou o desejo da administração em reaproximar os adeptos do estádio, o que se irá refletir numa política de baixa de preços.

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VTM – O GD Chaves será o único clube da região de Trás-os-Montes e do chamado interior no principal escalão do futebol nacional. Quais são os principais desafios do “peso” desta responsabilidade?

Francisco José Carvalho – A responsabilidade é a mesma da II Liga e de todas as épocas desportivas. O presidente tem que estar sempre preparado para conseguir fazer um plantel com capacidade desportiva e humana que nos leve ao objetivo deste ano. Os desafios são sempre os mesmos, também: conseguir o melhor grupo de trabalho e dar-lhe as melhores condições para que possa alcançar os objetivos. Melhorar a organização, o departamento médico, escolher e manter os melhores profissionais. Temos de evoluir, tal como tentam fazê-lo os outros clubes. Não podemos adormecer. Temos de trabalhar todos os dias para melhorar o desempenho de toda a equipa, de toda a organização. Isto é um trabalho de grupo e é importante conseguirmos melhorar todos os anos.

Disse, recentemente, ser difícil convencer jogadores a virem para Chaves. Está a ser um entrave na preparação da próxima época?

Na I Liga é sempre mais fácil, porque é mais apetecível para os jogadores. É uma montra diferente. Ainda assim, estamos longe das grandes cidades. A maioria dos jogadores portugueses e das suas famílias mora no Porto ou em Lisboa. Esta distância sai-nos cara. Ou acreditam muito e vêm pelo projeto, ou acabam por vir para o Desportivo de Chaves porque é um clube vendedor ou, então, temos de desembolsar mais dinheiro para compensar esta distância. Em caso de igualdade, se houver um clube de Lisboa, do Porto ou de Braga interessado, eles optam por não vir para Chaves, mas não faltam jogadores.

A nova época arrancará, certamente, com alterações e novidades. O que é que pode adiantar para já?

Em termos de plantel, claro que vamos tentar contratar atletas que a estrutura e o treinador achem que são necessários para fazermos uma época tranquila, sem sobressaltos, que não obrigue a usar a calculadora no final do campeonato. Queremos fazer um grupo forte. É este o nosso objetivo. Quanto a novidades, haverá algumas. A administração pretende conseguir puxar, novamente, os adeptos para o estádio. Estivemos dois anos sem público nas bancadas e temos que conseguir esta reaproximação. Para isso, vamos optar por uma política de baixa de preços. Vamos lançar os passes anuais e baixar cerca de 20 a 30% do valor em relação ao último ano, em que o Chaves esteve na primeira divisão para tentarmos ter o estádio com mais sócios e adeptos. Em Portugal, cada vez se vê menos público nos estádios. Portanto, queremos implementar essa estratégia de baixar valores para tentar ultrapassar os números da última subida e aproximar o público do estádio. Sem adeptos, o futebol não faz sentido.

Acredita que são o “13º jogador”? Fizeram a diferença, esta época?

Nos últimos jogos fizeram a diferença. O início da época foi muito duro e penoso. Tínhamos cerca de 600 a 700 adeptos num estádio com capacidade para sete mil. Sei que era a II Liga, mas é sempre importante o apoio deste 13º jogador que é o público. Sem ele, o espetáculo não é o mesmo.

Na homenagem feita pelo município afirmou que a renovação do treinador Vítor Campelos, entretanto confirmada, fazia todo o sentido. É uma das “peças-chave” para garantir que o clube fique no “lugar onde merece estar”?

Claro! O treinador tem um papel fundamental no projeto. É o líder do balneário, dos jogadores. Quando o Vítor Campelos foi contratado em fevereiro de 2021, o objetivo era levar o Chaves à I Liga. Chegou já no decurso da época e quase conseguimos (a subida). Nas últimas jornadas estivemos a lutar pelo ‘play-off’. Este ano conseguiu o objetivo e, por isso, temos muita confiança nele e a nossa prioridade foi renovar para dar continuidade ao projeto do Grupo Desportivo de Chaves.
Por todo o trabalho desenvolvido ao longo de quase ano e meio, o Vítor era a única pessoa indicada, por vários motivos. Como diz o velho ditado, “em equipa que ganha não se mexe”. A nossa prioridade sempre foi o Vítor Campelos. O foco sempre esteve nele. Sabemos que está a gostar de trabalhar connosco, que gosta dos adeptos e da região. É, também, uma boa oportunidade para ele fazer uma boa campanha este ano, para se lançar e voar mais alto. O Chaves é uma equipa pequena, em termos financeiros, e acaba por ser uma passagem. Aqui lançam-se treinadores e novos jogadores para outros patamares.

Quais são, então, as suas expectativas para 2022/2023?

Os nossos três grandes objetivos são: consolidar o Chaves na I Liga, aumentar o número de público no estádio e aproximar a equipa dos nossos adeptos. Vamos trabalhar arduamente para conseguir concretizá-los.

O Desportivo de Chaves é um defensor do VAR, recurso não existente na II Liga. Com a subida, acredita numa arbitragem mais justa?

Na arbitragem haverá sempre erros. Os árbitros são seres humanos e erram, é normal. O VAR é uma tecnologia importante para a verdade desportiva. É uma ferramenta que ajuda a conseguir ver alguns erros e é importante para o jogo em si. Na II Liga não existe este recurso. Sou defensor de que deve haver, uma vez que estamos a falar de campeonatos profissionais, com grandes exigências em termos de organização. Agora, na I Liga, claro que pode ajudar muito em lances duvidosos.

“Sem adeptos, o futebol não faz sentido nenhum”

Qual é, no seu entender, a principal lacuna do futebol profissional no nosso país?

A centralização dos direitos televisivos. As receitas estão mal distribuídas. Os três grandes recebem cerca de 70% e o resto dos clubes recebe 30%. O Chaves recebe cerca de 3,6 milhões de euros e os grandes recebem dez vezes mais. Isto desequilibra o campeonato, daí que exista esta diferença tão grande em termos de pontos entre os três primeiros e o resto das equipas, o que não existe na II Liga. Os clubes acabam por receber o mesmo e têm as mesmas armas, em termos financeiros, para poder construir uma boa equipa.
Na I Liga há uma grande diferença que, efetivamente, prejudica o futebol português. Só aqueles três ou quatro clubes conseguem manter jogadores de qualidade. Nos outros clubes temos que deixar sair os jogadores por falta de capacidade para conseguir mantê-los. Os bons jogadores acabam por sair de Portugal devido a esta política. Se o dinheiro fosse mais bem distribuído, como em Espanha, Inglaterra e em França, as equipas eram mais equilibradas. Isto acaba por se refletir na prestação na Liga Europa e na Liga dos Campeões. As nossas equipas têm cada vez mais dificuldades. O campeonato é muito desequilibrado e acaba por perder qualidade.

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