Escritor e Jornalista. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes
As estradas do nosso descontentamento rural
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Se fosse preciso encontrar um exemplo típico da crise que afeta quem mais precisa teríamos o espalhafato de que se rodeou a projetada Autoestrada A4 e a forma como vão sendo inaugurados os troços concluídos. Mais parece um ancião com a próstata a pedir cirurgia imediata, pingando aqui e ali, quando não faz chichi nas calças. Durante a última semana quase todos os jornais da região deram nota, quase a medo, dos pedaços que iam abrindo ao público. Desta vez foram 10 km entre o Nó de Palheiros e Lamas de Orelhão. Noutras edições da mesma imprensa já se lera que estavam a funcionar, outros nacos da mesma via: Bragança Poente-Bragança Nascente, Nó do Pópulo a Lamas de Orelhão, Nó do Romeu e Nó de ligação ao IP2 em Macedo de Cavaleiros, Vila Real Nascente/Justes, numa extensão de 60 km. Nesta data anunciam-se a abertura, durante o terceiro trimestre deste ano, de mais uns pedacitos, tipo lascas de presunto: Pópulo/ Palheiros, Romeu, Amendoeira e Bragança Nascente/ Quintanilha.
Para o quarto trimestre de 2012 teremos Vale de Nogueira a Bragança Poente, completando 108 km; e, até março de 2013, os 133 km da A4 ficarão completos. Obviamente, sem que nessa altura esteja concluído o «nó górdio» que é o Túnel do Marão. Lê-se na Wikipédia que a Autoestrada chamada A4 que até agora liga Matosinhos a Amarante, faz parte do Itinerário Principal IP4, famoso pelo número de vítimas mortais, bem pior do que a Via do Infante, no Algarve. É claro que o Algarve é um palco mediático de ricos e influentes como se nota com o estádio de futebol, com os veraneantes VIP’s e com as luxuosas moradias. As televisões e os
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