A precariedade aparece, assim, associada a um emprego sem estatuto, incerto e ausente de regalias sociais. Ora, esta descrição não é novidade na vida dos jovens portugueses, que se confrontam com uma maior dificuldade em encontrar emprego, que não seja com um vínculo temporário ou precário, apesar da recuperação do emprego em Portugal pós-pandemia estar a demonstrar uma enorme vitalidade, com uma taxa de desemprego de 5,7% em março, o valor mais baixo dos últimos vinte anos.
Apesar de indicadores e sinais positivos da taxa de atividade em Portugal, os jovens portugueses enfrentam um risco de desemprego três vezes superior ao dos trabalhadores mais velhos. A reflexão que questiona essa desigualdade, não obstante o enquadramento económico atual ser um pouco mais favorável, não deve ser deslocada do período difícil vivido nestes dois últimos anos, onde muitos jovens se encontravam na antecâmara do desemprego, i.e. em condições bastante precárias.
A cidadania desempenha um papel importante na vocalização de problemáticas que devem ser contempladas nas prioridades governativas, imbuindo nesta corrente as juventudes partidárias, as associações juvenis e académicas, entre outras, como catalisadores de iniciativas e propostas que acrescentem às (catorze) já existentes no domínio do mercado de trabalho jovem. O Observatório do Emprego Jovem sublinha três vetores importantes para a realização deste desígnio: 1) uma maior regulação do emprego temporário e uma atenção especial à transição para o emprego permanente; 2) melhor regulação da proteção no desemprego, através do alargamento da elegibilidade ou generosidade no tratamento dos mais jovens e 3) evitar que, em conjunturas de crise ou choque externo, os jovens sofram o duplo ónus do ajustamento do mercado de trabalho (=desemprego) e, ao mesmo tempo, a falta de segurança do rendimento nesta situação.
Vamos lá malta jovem, não está tudo bem! Pelo contrário, ainda há muito para conquistar.