As ordens religiosas missionárias caracterizam-se por saírem dos seus conventos para terras “de missão”, isto é, onde a Fé é desconhecida e existem muitas carências sociais. A sua vida contrasta, neste aspecto, com os religiosos de clausura (carmelitas, trapistas, etc.) que, salvo raras excepções, não saem dos seus conventos.
Santa Teresinha do Menino Jesus, uma jovem carmelita de clausura, veio a ser proclamada padroeira das missões, facto que nos mostra como a oração e o sacrifício andam profundamente ligados à pregação da Boa Nova. O bem-aventurado Arnaldo Janssen sabia-o: formou sacerdotes e irmãos missionários (Verbo Divino) e também religiosas missionárias (Servas do Espírito Santo) e, já no final da sua vida, fundou uma congregação de religiosas contemplativas (Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua) com a finalidade de rezarem pelos missionários e pelos seus trabalhos.
A Companhia de Jesus, cujos missionários conhecemos desde o tempo das descobertas, tem convidado leigos a partilhar temporariamente dos seus trabalhos em missões em Angola, Moçambique… numa iniciativa a que chamaram “Leigos para o Desenvolvimento”.
No entanto, não é necessário deslocar-se para tão longe. Muito recentemente, o Senhor Cardeal Patriarca lançou a ideia de “Missão na Cidade” que foi muito bem acolhida. Afinal, a Boa Nova não se destina apenas aos analfabetos ou às tribos exóticas. Também as populações urbanas, os cientistas e os intelectuais necessitam ser instruídos na Fé e na linguagem apropriada à sua cultura.
São muitas, enfim, as missões que se podem confiar aos homens dispostos a servir. E todas elas são belas. Tratemos, no pouco espaço que nos resta, de uma ou outra missão da Secretaria de Estado do Vaticano, onde trabalham sacerdotes especialmente preparados para o trabalho diplomático e o serviço à Igreja, incluindo um doutoramento em alguma ciência eclesiástica.
Existem, nesta Secretaria de Estado, duas grandes secções: a de idiomas e a geográfica. Na primeira, trabalham as pessoas encarregadas de ler e traduzir os documentos do Papa para a língua da sua competência e de ler a correspondência que chega ao Vaticano redigida nesse idioma e traduzi-la, para o Santo Padre. Na segunda secção, os sacerdotes têm a seu cargo uma determinada zona geográfica e devem estar informados do que lá se passa, a nível de Igreja, social, político… e tomar as decisões e acções convenientes à sua resolução.
Imaginemos que existe um conflito num país de África. O Núncio Apostólico destinado a esse lugar e os seus colaboradores desdobram-se em inúmeras tarefas, por vezes, ouvindo disparos, durante a noite. Visitam os campos de refugiados, onde, além de darem conforto espiritual, procuram conhecer e resolver os múltiplos problemas dessas pessoas.
É evidente que estes campos de refugiados estão carenciados de bens essenciais. São muitas as organizações da Igreja que, através da Secretaria de Estado do Vaticano, oferecem alimentos, agasalhos, dinheiro ou remédios. Compete, pois, aos colaboradores do Núncio, levantar os contentores das alfândegas (tarefa difícil, quando a corrupção e a burocracia levam a atrasos) e fazê-los chegar ao destino. Felizmente, os seus múltiplos conhecimentos e boa preparação permitem-lhes resolver os contratempos, com a rapidez necessária, de tal modo que algumas organizações não governamentais se apoiam no seu auxílio, para terem a certeza de que os seus contentores não são desviados, para outros fins.
Outro trabalho concreto consiste em conseguir documentos para os refugiados que pretendem sair do país. Isso consegue-se através de embaixadas amigas que emitem passaportes, em nome dessas pessoas. As diligências não terminam aqui, porque, nos países de acolhimento, devem já ter um emprego compatível com a sua formação à sua espera e pessoas dispostas a acompanhar os refugiados, como se fossem seus amigos: recebê-los, ambientá-los com os novos costumes e a vida da cidade, convidá-los para festas familiares…
Estas são algumas das realidades das várias missões que a Igreja pode desempenhar, no mundo e nas almas, se puder contar com a oração de todos os homens de boa vontade. É este o convite que vos faço, para o Dia Mundial das Missões.




