Sábado, 19 de Junho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Assim, não!

Chamou-nos à atenção, uma nota que Judite de Sousa, jornalista bem conhecida, deixou num dos semanários deste fim de semana.

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Declara Portugal como um país triste. Fundamentando-se nas circunstâncias dos nossos dias, traça o retrato de um país corroído pelas mazelas da pandemia, da crise económica e social, da pobreza que já não é envergonhada e pelos olhares vagos dos mais frágeis com quem nos vamos cruzando todos os dias. É um retrato bem construído e muito oportuno que nos vem inquietando também.

Temos que admitir que estes nove meses que já levamos de pandemia, Covid-19, um vírus que apanhou completamente desprevenido o mundo científico ligado à saúde, está a dar-nos a todos a sensação que já basta de sofrimento, começando a muitos de nós a esgotar-se a paciência, em certos domínios que não apenas o da saúde.

Sabemos bem que os governantes, a quem compete pensar e desenhar as medidas que é necessário tomar para obstar aos efeitos que a paralisação da nossa economia está a sofrer, em domínios como o da restauração, do comércio, do turismo e o crescente número de desempregados que de um momento para o outro se veem sem salário, têm pela frente uma tarefa hercúlea, que aconselharia a encontrar, na governação, grandes consensos entre as diversas forças políticas.

O ambiente de crispação política que se vive nesta altura na Assembleia da República, onde se discute a aprovação do Orçamento de Estado para o próximo ano económico, o qual deveria conter medidas de salvação nacional, com generalizado, se não mesmo total apoio das diversas forças políticas, é  verdadeiramente confrangedor. Percebemos que a divisão, é de tal ordem, que existe o risco real de não se conseguir sequer a sua aprovação.

Mais, o ambiente político que ali se vive, é de constante “picardia”, provocado em particular pelos acontecimentos dos Açores, onde uma mudança de orientação política, absolutamente normal em democracia, está a dividir o hemiciclo, de uma forma que classificamos de absolutamente lamentável. 

Para um país frágil como o nosso, em termos de desenvolvimento, de finanças públicas, o que se exigiria nesta altura era uma liderança política forte, consensual e determinante. Bom exemplo é o da Presidente da Comissão da União Europeia – Ursula Gertrud von der Leyen, propondo uma injeção financeira jamais imaginada antes, para acorrer e ajudar os cidadãos e as empresas em maiores dificuldades.

Não pedimos muito. Pedimos somente a quem nos governa, que perceba o sofrimento do povo. 

Assim, não!

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