António Martinho
António Martinho
VISTO DO MARÃO | Ex-Governador Civil e Ex-Deputado

Assumir as competências com responsabilidade

Os seus defensores reforçam os argumentos a favor; os detratores, receosos de que através de poderes descentralizados se chegue à regionalização, esgrimem argumentos contra. Seria, pois, normal ver os que pugnam por tais desideratos aproveitar todas as oportunidades que surgem. É, no mínimo, expectável que assim seja. A avaliar por certas posições públicas dos que a exigem, juntamente com a autonomia, na tomada de decisão, seria mesmo natural que esses momentos fossem agarrados com grande empenho para defender tais formas organizativas da Administração ou da Governação, ambas, a seu modo, propiciadoras de maior eficácia para maior benefício das pessoas.

Recentemente, por mais que uma vez, e estranhamente, vi responsáveis regionais e dirigentes associativos invetivar, em declarações públicas, a falta de orientações do poder central. É o caso de presidentes de associações profissionais da área dos Cuidados de Saúde Primários e de Saúde Pública sobre o processo de vacinação contra a Covid-19 e de alguns Administradores Hospitalares. Questionam-se situações, contestam-se as orientações, considerando-as demasiado vagas e imprecisas – até se pergunta como será feita a convocatória das pessoas – em vez de agarrar as oportunidades e, de forma responsável, mostrar as virtualidades de as decisões serem tomadas mais próximo de quem pode delas beneficiar. Não se estranhe, pois, que, com atitudes destas e algum chico-espertismo com a vacinação, apareça quem ponha em dúvida a bondade da regionalização.

Felizmente que há experiências muito positivas. Em vez de se reclamar, resolvem-se os problemas com os recursos existentes. Sem deixar de os expor e alertar para os riscos que podem surgir em algumas circunstâncias. Porque problemas não faltam. É assim motivo de regozijo o que pude ler numa rede social – como podem ser úteis se bem utilizadas! – a propósito da forma como o ACES Douro Norte está a organizar o processo de vacinação na atual fase – maiores de 80 anos e de 50 com algumas doenças associadas. Informação concisa e clara. Decerto que a atuação que se seguirá vai no mesmo sentido. E nos Cuidados de Saúde Diferenciados, o melhor mesmo será ler a reportagem do Público do dia 7 sobre o Hospital de S. João com o título “A máquina de salvar vidas”.

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