Um dos concelhos que vai sentir o aumento de circulação rodoviária é o de Vila Pouca de Aguiar, o que leva o presidente da Câmara Municipal, Domingos Dias, a fazer uma antevisão crítica e fundamentada daquilo que a EN 2 pode ser no futuro, ao mesmo tempo, citou algumas beneficiações levadas a cabo no troço que atravessa longitudinalmente o concelho. “É uma preocupação antiga. Quando tomei conta dos destinos da autarquia, referi que o aumento de tráfego na EN 2 é sempre sinónimo de uma subida no risco de ocorrência de acidentes. Iremos ter em conta essa realidade, já que a EN2 é o principal eixo viário do distrito, depois da A24. Nos últimos tempos, diminuímos muito o número de sinistros com a construção de rotundas, que quebraram algumas das rectas e pontos negros rodoviários que existiam no concelho. Concretamente, em Bornes de Aguiar e em Sabroso de Aguiar, onde criamos zonas de passadeiras e de sinalização de travessia de peões nas localidades. Procuramos também criar uma série de condicionantes para a diminuição de acidentes e isso ocorreu, em grande parte, com o desvio do trânsito para a A24. Mas, o volume de tráfego irá regressar e nós estamos apreensivos”.
Ainda na EN 2, a autarquia aguiarense já entregou um projecto sobre a criação da Rotunda de Telões. “Estamos à espera de iniciar a obra, que irá beneficiar uma das rectas mais perigosas do concelho. Estamos também a estudar acessos à EN 2 em algumas localidades, de modo a não ficarem extremamente condicionados e evitar choques entre veículos. Iremos ainda sinalizar devidamente a travessia de peões. Obviamente que os automobilistas preferiam que não houvesse tantas condicionantes para poderem circular mais à vontade, mas temos que ter em atenção a segurança das pessoas, em primeiro lugar”.
Uma das prioridades da autarquia, a nível de segurança rodoviária, incidiu na área da Zona Industrial de Sabroso. “Tivemos de mudar o acesso para outro local. Tanto na entrada como a saída, temos a certeza que a Estradas de Portugal terá atenção a esta nova realidade e não deixará de colaborar com a autarquia, que só por si, não terá verbas suficientes para fazer face a tudo”, sublinhou.
No total, são 17 km da EN2 que atravessa o Concelho de Vila Pouca de Aguiar e 14 km são em zonas extremamente povoadas. O presidente da ACISAT – Associação Empresarial do Alto Tâmega, João Miranda Rua, também manifestou o seu pessimismo sobre os efeitos das portagens e do retorno do tráfego à EN2. “Estamos preocupadíssimos. Prevejo muitas dificuldades para quem no futuro terá de utilizar a EN 2 em detrimento da A24. “É bom lembrar aquando do encerramento de alguns serviços no Hospital de Chaves por parte do Governo, a abertura da A24 serviu de pretexto para esse encerramento. Na altura, ficou decidido que não haveria portagens para facilitar a mobilidade num acesso rápido ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real. Agora, com as portagens vamos voltar a ter os mesmos constrangimentos rodoviários nas estradas nacionais que tínhamos antigamente. Tudo isto associado aos preços dos combustíveis, é um cenário penalizador para o tecido empresarial da região, mormente para os do Alto Tâmega”.
Chaves é um concelho que tem na sua geografia cerca de 30 km da EN 2. Um dos segmentos que vai sentir a entrada em vigor das portagens é o troço entre a cidade e Vila Verde da Raia, embora haja também uma previsão de aumento de tráfego entre Vidago e a cidade flaviense. O presidente da Câmara Municipal de Chaves, João Baptista, reconheceu existir ainda “uma grande indefinição neste assunto e que pretende ver esclarecidas algumas matérias”. Contudo, apesar de voltar a deixar bem claro a sua discordância quanto à entrada em vigor das portagens, João Baptista considerou que o volume de tráfego “não vai alterar muito no concelho”, embora preveja um aumento. No nosso concelho, a EN2 foi recentemente requalificada e tem sinalética adequada. Há muita gente a utilizar a ligação de Vidago a Chaves. Mas, ainda está tudo um pouco indefinido. Vamos aguardar pelas isenções e ver onde irão ser instalados os pórticos, sabendo que nós temos cinco acessos à A24. Depois de tudo ficar mais claro, é que iremos sentir o efeito na EN 2”, concluiu.
O sector dos granitos será um dos que mais sentirá os efeitos das alterações de tráfego na EN 2. O presidente da Associação dos Industriais de Granito (AIGRA), Domingos Ribeiro, vinca o seu descontentamento, focando a própria segurança das populações, que voltarão a ver com mais frequência o trânsito de pesados. “É mais uma machadada num sector que já está a ser penalizado. Com a introdução das portagens, teremos que regressar à EN 2. A A24 foi um desejo de há vinte anos, agora pouco tempo depois de ficar concluída, iremos ter que pagar. No sector, há empresas com algumas dificuldades, que estão a optar pela redução da produção e classificação do cliente e do produto”.
Domingos Ribeiro aproveitou para comparar a utilização da A24 com a EN2. “Lembro que a A24 é um acesso que obriga a subir duas vezes a montanha. Uma do lado de Vila Pouca e outra de Vila Real. Nesta via, os camiões têm consumo superior em relação à utilização da EN 2, pois esta tem um traçado na quota mais baixa. Por isso, já hoje, este segmento é muito utilizado pelas empresas que querem ter acesso à entrada Norte de Vila Real. Mas, com as portagens, a situação ainda ficará mais agravada, com um maior condicionamento de tráfego. Para o futuro, os nossos empresários ficarão sujeitos a que as suas viaturas circulem mais devagar e por isso, aumentem o consumo de combustível, aumentando igualmente o tempo de percurso”, sublinhou.
Este responsável não tem dúvidas que com a introdução de portagens na A24, a EN2 irá ter um grande aumento de tráfego de pesados, “o que não trará nada positivo para o interior das localidades e para as empresas”.



