O Teatro de Vila Real vai assumir no seu orçamento o aumento do IVA nos espetáculos, de 6 para 13 por cento, não refletindo assim, “pelo menos no primeiro semestre” deste ano, o agravamento do imposto no preço dos bilhetes, garantiu, ao Nosso Jornal, Vítor Nogueira, diretor daquela infraestrutura cultural.
Segundo o mesmo responsável, a decisão já pode ser constatada através da manutenção dos preços dos espetáculos incluídos na programação do primeiro trimestre (que já foi divulgada) e é também uma “promessa para o trimestre seguinte”.
No final de Junho, a direção do Teatro irá ‘fazer as contas’ e analisar a sua situação financeira de forma a decidir se a medida será também levada a cabo nos dois trimestres seguintes, no entanto, a intenção é, desde já, “não mexer nas bilheteiras”. “Se o ano decorrer como 2011 é possível que consigamos esse objetivo”, sublinhou o diretor.
Apesar de constatar que o preço do IVA sobre os espetáculos “mais que duplicou”, Vítor Nogueira mostrou-se satisfeito pelo facto de não ter sido dado “o salto mortal” para os 23 por cento, como esteve previsto inicialmente.
Para o ano de 2012, o Teatro de Vila Real tem para gastar 836 mil euros, um orçamento “que foi muito difícil de construir tendo em conta as contenções financeiras”, no entanto, em termos de programação, tudo está pensado de forma a garantir a mesma qualidade e quantidade conseguida em 2011, sendo de sublinhar que, mais uma vez, o Teatro vai ‘oferecer’ cultura à região durante todo o ano, não encerrando, como acontece na maior parte dos Teatros a nível nacional, na altura do verão.
Em 2011 cada espetador ‘custou’ 15 euros
No ano passado, o Teatro de Vila Real realizou 273 espetáculos, um número que fica aquém da média dos seus primeiros seis anos de existência, mas que, ainda assim, representa uma oferta cultural muito perto de um espetáculo por dia.
No total, o Teatro recebeu 57.436 espetadores, um número que ascende aos 233 mil quando se fala em termos de visitantes. Apesar de se ter registado uma quebra ao nível dos espetadores e do número de espetáculos, de sublinhar que a taxa de ocupação subiu dos 87 para os 89 por cento, mantendo assim o Teatro vila-realense entre as casas de espetáculo do país mais concorridas pelo público.
Na programação do ano passado marcaram presença 17 países diferentes, destacando-se ainda três estreias nacionais e dois espetáculos únicos em Portugal.
“Apertamos o cinto em 2011”, recorda Vítor Nogueira, referindo que, apesar de todos os cortes sofridos, o Teatro de Vila Real gastou 15 euros por espetador, ou seja, apenas menos dois euros que no ano anterior.
Os espetáculos musicais foram aqueles que atraíram mais pessoas (54 por cento), seguindo-se na lista das artes de palco mais vistas (23 por cento) o teatro. Cinco por cento dos espetadores contabilizados assistiram a espetáculos de dança e 18 por cento a outras apresentações de carácter multidisciplinar.
Primeiro trimestre começa com o FAN e termina com o “Vinte e Sete”
Já foi divulgada publicamente a programação para os primeiros três meses do Teatro de Vila Real, uma agenda que começou logo no primeiro dia do ano, com o arranque do Festival de Ano Novo (FAN), e que se prolonga até março, altura em que a região voltará a assistir a mais uma edição do Festival Internacional de Teatro “Vinte e Sete”.
Entre os destaques da programação regular, a direção sublinha, na área da música, os concertos dos The Gift, que atuam pela primeira vez no Teatro de Vila Real, Sean Riley & The Slowriders, Jorge Palma e Dead Combo.
“No teatro, é de ter em conta desde logo a estreia de uma nova produção da Peripécia Teatro, “ 1325”, um espetáculo com o alto patrocínio da Assembleia da República, que terá quatro sessões agendadas no início de fevereiro”.
Por outro lado, o Teatro de Vila Real propõe ainda, “para o grande público”, a peça “Fuga”, uma comédia interpretada por Maria Rueff, José Pedro Gomes, Jorge Mourato, João Maria Pinto e Sónia Aragão.
“3 atores à procura de um papel”, “O Guardião do Rio” e “Especialistas”, são outros dos espetáculos de teatro que poderão ser assistidos nas duas salas do Teatro de Vila Real, sendo de sublinhar que o último marcará o arranque do festival “Vinte e Sete”.
“Adicionalmente, as peças incluídas no Serviço Educativo são também suscetíveis de agradar ao público adulto. Trata-se de ‘Frágil’, mais uma produção mágica do Teatro de Marionetas do Porto, e ‘Daqui Vê-se Melhor’, uma coprodução do Teatro Maria Matos e da PI – Produções Independentes, que faz uma viagem pela história do teatro auxiliada por desenhos em tempo real”.
“Dreams”, pela Companhia de Dança do Norte, e “Tuco”, da Companhia Instável, são as propostas na área da dança ou do teatro físico.
De sublinhar ainda que, a comédia continuará a fazer rir às quintas-feiras, estando garantida manutenção das habituais sessões de stand up comedy no Café-Concerto. Também o “Cinema Sem Pipocas” vai continuar, com a apresentação de “quatro filmes da melhor produção cinematográfica recente”.



