“Mondim de Basto é um concelho mal servido no que respeita aos cuidados de saúde e tem sido esquecido pelos sucessivos governos”, sublinhou Humberto Cerqueira, presidente da Câmara Municipal mondinense, em declarações aos jornalistas durante uma conferência de imprensa realizada no dia nove e na qual exigiu ao Ministério da Saúde a colocação, “de imediato, de pelo menos mais um médico no centro de saúde” local.
Segundo o autarca, “na área da saúde, há quatro questões que preocupam a população: reduzido número de médicos e a consequente redução do horário de funcionamento do centro de saúde, funcionamento das extensões de saúde os hospitais de referência e a rede de urgência e emergência médicas”.
Recentemente, o Ministério da Saúde rescindiu o contrato com a empresa de prestação de serviços que “assegurou, desde março do ano passado, a colocação de mais um médico no centro de saúde local”, uma situação que levou a que aquela unidade tenha visto o seu horário de funcionamento reduzido, funcionando agora das 9h00 às 18h00 durante os dias de semana, e das 9h00 às 16h00, aos fins de semana.
A autarquia suporta ainda a sua exigência no facto do concelho ter cerca de “1500 utentes sem médico de família, na sua maioria idosos”. “É urgente a colocação, de pelo menos, mais um médico no concelho. Transmiti isso mesmo aos responsáveis do Ministério da Saúde”, explicou Humberto Cerqueira.
Outra questão levantada pela autarquia prende-se com a inexistência em Mondim de Basto de uma viatura de emergência médica. “Sempre que o INEM é requisitado demora, em média, pelo menos 30 minutos, e às vezes mais, até chegar à sede do concelho”, sublinhou o mesmo responsável político.
O autarca lembrou ainda que das três extensões de saúde existentes (Atei, Ermelo e Bilhó), “nenhuma tem médico, o que obriga os utentes a deslocar-se vários quilómetros até ao centro de saúde, num concelho onde a rede de transportes públicos fica aquém das necessidades da população”.
“Mondim de Basto é um concelho de transição. É servido pelos centros hospitalares de Trás-os-Montes e Alto Douro, Alto Ave (Guimarães) e Vale do Sousa (Penafiel). No entanto, há doentes que são encaminhados para Guimarães e depois transferidos para Vila Real, o que os obriga a fazer 150 quilómetros e a várias horas de espera. É urgente uma melhor articulação por parte dos serviços do Ministério da saúde”, defende o presidente da Câmara, questionando ainda o Ministério da Saúde relativamente “à articulação dos serviços com a entrada em funcionamento do novo hospital de Amarante”.
Consciente da “importância da saúde, que afeta seriamente o dia-a-dia das pessoas”, Humberto Cerqueira garante que não vai “baixar os braços enquanto os problemas não forem resolvidos”.



