Vila RealAutarca resignado com encerramento

Autarca resignado com encerramento

“Alojamento despretensioso para jovens e não só, cobrindo o país de lés-a-lés”, essa é a promessa deixada pelas Pousadas da Juventude de Portugal que, a partir do próximo mês, não será cumprida na íntegra, já que quem se deslocar à capital de distrito vila-realense não terá a possibilidade de alojamento naquela infraestrutura. Prejuízos e falta de condições são as motivações para o encerramento, que Manuel Martins tem “pena” que aconteça mas que considera normal face aos problemas que gera e à falta de “clientes”.

“Se não temos dinheiro para manter aquilo a funcionar só há um caminho: fechar”, considerou Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, sobre o encerramento da Pousada da Juventude da capital de distrito já a partir do próximo dia um.

Manuel Martins, que primeiro, em tom irónico, disse pensar que só havia Pousada da Juventude em Alijó, considera que “se não há dinheiro, se só dá problemas e prejuízo e não tem clientes, não pode funcionar”.

“Tenho pena que feche porque tudo que se fecha aqui significa a perda de postos de trabalho, significa que perdemos valor no nosso país. Não posso ficar contente”, sublinhou no entanto o autarca.

O Partido Socialista (PS) tem uma opinião bem diferente da situação e os seus deputados eleitos por Vila Real explicam que “foram surpreendidos” pelo encerramento, que consideram tratar-se de “mais um ataque ao distrito”.

“O argumento é mais uma vez de ordem financeira, a que acresce, vá-se lá saber porquê, ‘supostas’ reclamações dos utentes face às ‘alegadas’ más condições oferecidas pela pousada da capital de distrito”, sublinham os deputados, classificando que, na verdade, se trata de mais uma “desconsideração que o Governo faz ao interior”.

Os deputados Rui Santos e Pedro Silva Pereira garantiram mesmo, em comunicado, que vão pedir explicações ao ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.

Além da Pousada de Vila Real, no mesmo processo, vão encerrar também as Pousadas de Setúbal, Leiria, Guarda e Portalegre, que, no conjunto, apresentaram, nos últimos oito anos, saldos negativos na ordem dos 1,2 milhões de euros.

Fala-se ainda em “reclamações dos utentes face às más condições oferecidas” nas cinco Pousadas, uma situação que, por exemplo em Vila Real, comprova-se, por exemplo, com a falta de água quente relatada por funcionários.

Apesar de não ser avançada a possibilidade de uma reabertura, o que poderá acontecer apenas depois de investimentos na beneficiação das instalações, o site dedicado à Pousada de Vila Real mantém-se ativo com a indicação de que a Pousada estará “encerrada de um de fevereiro a 31 de dezembro de 2012”.

Com um total de 52 camas e preços que variam entre os 11 e os 12 euros por pessoa, a Pousada da Juventude de Vila Real é a segunda com maior défice das cinco que serão encerradas (37 mil euros por ano), sendo apenas antecedida pela de Portalegre.

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