Até à hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não foi possível acompanhar a cerimónia, no entanto, segundo a Câmara Municipal de Montalegre, foi ontem assinado entre a autarquia e a EDP um “protocolo histórico”, que estabelece “novas regras na comparticipação das rendas das barragens”.
Segundo a autarquia, o acordo “traz grandes alterações aos valores que o município recebe atualmente da EDP”, o que representará a vitória numa “batalha” travada entre a Câmara Municipal montalegrense e a operadora nacional do setor da energia.
Em comunicado, Fernando Rodrigues, presidente do município, afirmou estar “radiante” por ver chegar ao fim o “braço de ferro que se estendeu ao longo dos últimos anos”. “Há 15 anos que eu ando de volta deste processo, que teve avanços e recuos e, finalmente, chegou- -se a um acordo. Tenho, neste momento, que manifestar a minha satisfação por ter conseguido um resultado que eu há muito procurava”, explicou.
O protocolo assinado ontem “vai trazer muitos benefícios para o concelho de Montalegre porque vai aumentar exponencialmente as rendas das barragens”, sendo de sublinhar que se o concelho recebia à volta de 70 mil euros, vai passar receber “um valor muito, muito superior”. “Somos o concelho do país que mais energia hídrica produz, mas também somos o que tem mais barragens. Vamos ser aquele que vai receber mais dinheiro e, portanto, há uma satisfação muito grande”, reforçou Fernando Rodrigues, acreditando que se abre assim “um novo ciclo de consolidação das finanças do município” e de garantia “da melhoria das infraestruturas e das condições de bem-estar das populações”.
De recordar que, no dia 27, à margem da inauguração dos reforços de potência das barragens de Bemposta e Picote, localizadas no Douro Internacional, o ministro-adjunto Miguel Relvas, presidiu à assinatura de um protocolo entre a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a EDP, através do qual a empresa nacional vai pagar, anualmente, cinco milhões de euros a mais de 60 municípios, onde se localizam 32 aproveitamentos hidroelétricos por todo o país.
O valor é referente a uma compensação que acresce às rendas que a EDP já paga anualmente (900 mil euros), e deve ser utilizado pelas autarquias, conforme consta do protocolo, para “projetos de natureza social, educativa, ambiental, saúde ou desenvolvimento regional”.
O governante deslocou-se ao Douro Internacional para a inauguração os reforços de potência das barragens de Bemposta e Picote, dois projetos que representaram “um investimento total de 300 milhões de euros, tendo gerado cerca de três mil postos de trabalho, diretos e indiretos”. Segundo a EDP, “as novas centrais permitem reforçar em 4 por cento a produção hidroelétrica do país, otimizando infraestruturas existentes e garantindo o melhor aproveitamento das águas do Douro”.
“Os dois projetos são os primeiros a entrar em operação num conjunto de 12. Entre projetos em construção e estudo, a EDP tem em curso o maior plano de investimentos hidroelétrico na Europa, refletindo a estratégia de maximização do aproveitamento de recursos endógenos e renováveis”, garante a empresa.



