Vila RealAutarquia está “atenta” à necessidade de uma nova sede para a Filandorra

Autarquia está “atenta” à necessidade de uma nova sede para a Filandorra

Apesar dos cortes na cultura, que ascendem aos 38 por cento no que diz respeito às companhias de teatro, a Filandorra está empenhada em comemorar os seus 25 anos da única forma que conhece, subindo ao palco. Começando pelas crianças, o ano de atividades vai contar ainda com estreias e uma reestruturação da sua rede protocolar municipal. As bodas de prata do casamento entre a companhia e a região ficam ainda marcadas pela necessidade de uma sede própria.

Simbolicamente, e no meio de dezenas de crianças, a Filandorra – Teatro do Nordeste, assinalou, no dia 16, o arranque das comemorações do seu 25º aniversário, altura em que a vereadora da Câmara Municipal de Vila Real, Dolores Monteiro, deixou a garantia de que a autarquia irá ceder uma das escolas do centro da cidade (que serão encerradas) à companhia de teatro vila-realense.

Questionada sobre a ‘prenda’ que o município pretendia dar à companhia, a vereadora sublinhou que a câmara sabe que “aquilo que a Filandorra mais necessita é uma sede própria”.

“Não se promete o que não se pode cumprir, mas estamos atentos e não deixaremos de apoiar e de conseguir a tão desejada sede”, sublinhou a mesma responsável política, adiantando que quando estiver concluído o processo de reestruturação da rede escolar, “quando os centros escolares estiverem prontos e a comunidade educativa distribuída”, o município irá ceder as instalações de uma das escolas do primeiro ciclo, que serão encerradas no processo, à companhia.

Depois de cantar os parabéns à Filandorra e de assoprar as velas de um bolo “cénico”, Dolores Monteiro sublinhou que o concelho deve-se “orgulhar” de ter um grupo de teatro que se dedica particularmente a espetáculos para toda a comunidade, e, em especial, para as crianças. “Trata-se de um projeto reconhecido a nível nacional pela secretaria de Estado da Cultura e que também não podemos deixar de apoiar”, referiu a vereadora, enaltecendo o papel da companhia enquanto prestadora de um serviço “complementar” ao trabalho desenvolvido por educadores e professores nas escolas.

As comemorações do aniversário da Filandorra vão decorrer durante todo o ano, tendo começado “da forma mais primordial, mais bonita, pelas crianças”. Assim, a companhia está a promover, até a próxima semana, sessões de teatro gratuitas da peça “História do Macaco de Rabo Cortado” a todas as escolas da cidade, envolvendo, numa primeira fase, mais de dois mil espetadores de palmo e meio que frequentam o ensino Pré-Escolar e 1º ciclo do Ensino Básico (público e privado).

“A adesão por parte das escolas e agrupamentos da cidade foi total, e acreditamos que a adesão será a mesma quando formos para a zona rural”, explicou David Carvalho, diretor da Filandorra.

Sem levantar muito mais o véu sobre as comemorações, o diretor da companhia referiu que a programação ainda não está fechada e vai depender das contratualizações financeiras com a secretaria de estado da cultura. “No início de fevereiro vamos divulgar todas as iniciativas”, referiu o mesmo responsável, deixando a certeza que haverá “um conjunto de estreias”, entre as quais poderá estar a peça “Sonho de uma noite de verão”, de Shakespeare, cuja estreia a companhia chegou a anunciar há alguns anos mas que teve de interromper.

Entre as novidades das atividades ligadas aos 25 anos da companhia, David Carvalho adiantou que será feito uma “reorganização das parcerias autárquicas”, sendo de sublinhar que “entre seis e oito municípios vão agarrar o projeto de forma mais diferenciada, dando naturalmente um salto” ao nível do apoio, uma opção que acontece na sequência de “uma avaliação do trabalho desenvolvido ao longo de duas dezenas de anos”.

O diretor da companhia considera que chegou a altura “da companhia ser respeitada”, de “ter uma sede condigna”, de acordo com “o estatuto de companhia mais antiga da região”.

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