Domingo, 26 de Setembro de 2021

Victor Pereira

Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes
156 Artigos de opinião

O Homem Light

Recomendo-vos a leitura do livro O Homem Light, uma vida sem valores, de Enrique Rojas. Nos últimos anos, uma série de produtos light invadiu o mercado, facilmente ao nosso dispor em qualquer hipermercado. São produtos que foram alterados na sua identidade, nomeadamente no grau de gordura ou açúcar que oferecem, para não serem tão nocivos à saúde e para satisfazerem os níveis de elegância e estética que o homem contemporâneo prolatou. Andam por aí cerveja sem álcool, manteiga sem gordura, açúcar sem glicose, tabaco sem nicotina, coca-cola sem cafeína, vários produtos alimentares com poucas calorias e com pouca gordura. Alguns especialistas já alertaram que estão cheios de mentiras e que as substâncias adicionadas para a sua mutação não serão as mais saudáveis.

A indiferença religiosa (II)

O ser humano é levado a materializar a sua religião e a sacralizar os seus materialismos. Repare-se no que as pessoas vão buscar a Fátima: cura de uma doença, sucesso de um empreendimento, triunfo nos exames, vitória do seu clube, sucesso na vida e nos negócios, emprego, entre outros. Como dizia D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, «para muitos cristãos católicos a religião não tem nada de transcendente».

A indiferença religiosa

Sobretudo na Europa, vivemos tempos de grande indiferença religiosa. Instalou-se a convicção de que se pode viver perfeitamente sem uma referência divina e sem qualquer relação com o transcendente. A religião é uma perda de tempo ou até um adorno desnecessário, ainda assim útil, dirão alguns, para se ir enterrando os mortos e para se ir tendo algum consolo nas agruras da vida. Sinais dessa indiferença é a facilidade com que hoje muitos se dizem agnósticos ou católicos não praticantes, que são a esmagadora maioria da sociedade.

Um cristianismo mundano

No penúltimo artigo, contei a parábola do palhaço, que tentou convencer a aldeia vizinha de que o circo estava a arder e que o fogo não demoraria muito a chegar à aldeia. O povo não lhe deu nenhuma importância e a tragédia aconteceu. Podemos também colocar a pergunta: porque é que o palhaço não se lembrou de retirar a maquilhagem para que as pessoas pudessem acreditar nele? Se tem tirado a maquilhagem pelo caminho, possivelmente, teria mobilizado algumas pessoas para o incêndio.

O contributo católico para o 25 de Abril

É inquestionável o valor e o significado da revolução do 25 de Abril. Operou uma mudança necessária e premente e institui no país um conjunto de valores democráticos, que há muito fervilhava na consciência da maioria da população portuguesa.

O Uso do Latim

No dia 7 de março, O Papa Francisco assinalou os cinquenta anos da primeira missa celebrada em italiano pelo Papa Paulo VI, visitando a mesma paróquia onde a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II (1962-65) foi inaugurada, a paróquia romana de Todos os Santos. Por determinação do Concílio, a liturgia passou a ser celebrada nas línguas vernáculas, ou seja, nas línguas próprias de cada país. É apelidada como «a grande mudança». Como sabemos, excetuando-se a homilia do presidente da celebração, toda a liturgia era celebrada em latim, língua que o povo não compreendia.

Será a missa uma seca?

De vez em quando, alguns cristãos que raramente vão à missa, lá vão deixando escapar: «eu até ia à missa, mas aquilo também é sempre a mesma coisa, a missa é uma seca».

A Quaresma

Voltaire, escritor e filósofo francês dos séculos XVII e XVIII, publicou em 1759 um pequeno romance picaresco, ou se quisermos, um conto, denominado Cândido.

A existência de Deus

Aqui há uns tempos, o astrofísico inglês Stephen Hawking surpreendeu ao proferir uma afirmação tonitruante: «No passado, antes de entendermos a ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Agora a ciência oferece uma explicação mais convincente. Não há nenhum Deus. Sou ateu. A religião acredita em milagres, mas estes são incompatíveis com a ciência». 

A liberdade de expressão

Não pudemos deixar de acompanhar e partilhar a consternação e a indignação que invadiu os espíritos pelo atentado terrorista abominável que ocorreu em França. Para além de atingir valores fundamentais das sociedades democráticas ocidentais, o que choca, sobretudo, é a banalização da morte e do mal e o total desrespeito pela vida humana, que é sagrada. E fazê-lo em nome de um deus ou de um profeta, é uma gravíssima manipulação e instrumentalização da religião.

A Justiça é para todos

Tenho acompanhado com algum interesse todo o circo mediático que se montou à volta da prisão do cidadão José Sócrates. De dia para dia só sinto aumentar a minha perplexidade, sobretudo, porque vemos cair por terra a sã não intromissão da política na justiça, que muito bom político se fartou de proclamar aos quatro ventos e nos tentou impingir durante quarenta anos de democracia, e porque vemos ruir a firmeza e a credibilidade do maior pilar do regime democrático, sem o qual jamais haverá democracia, a justiça. Lá diz o povo: se a justiça não faz nada, a justiça só quer saber dos seus interesses e não temos justiça, se atua, faz tudo mal e age em nome de poderes obscuros e de jogatinas políticas.

Regresso do paganismo

Há uns tempos atrás, o Rabi Adin Steinsaltz, numa conferência em Oxford, afirmou: «vivemos hoje num mundo ocidental que está esvaziado do cristianismo e do judeo-cristianismo. E este vazio está agora a ser preenchido por outra coisa, e essa outra coisa é o paganismo».