Segunda-feira, 2 de Agosto de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Bairros Problemáticos

Os números elevados de pessoas infetadas com o vírus, na área Metropolitana de Lisboa, trouxeram, de novo, ao de cima o problema habitacional das grandes metrópoles, que é um assunto que há a tendência para varrer para debaixo da mesa, porque incomoda enfrentá-lo nos tempos de vertigem, em que normalmente vivem todos aqueles que têm a responsabilidade de resolvê-lo.

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Recordamos o que se passou em França, nos idos anos de 60 e 70 do século passado, com os «Bidonvilles», em particular em Paris e várias outras grandes metrópoles daquele país. A reconstrução de todo o seu tecido económico, no fim da segunda Grande Guerra, atraiu muitos milhares de emigrantes, que deixavam as suas terras, em busca de um salário condigno, nem que para isso fosse necessário comer o pão que o diabo ia amassando. 

Os arredores das grandes cidades eram dormitórios de milhões de cidadãos que vinham dos países do sul e de leste, e que se sujeitavam a tudo. O que era importante, era o salário que recebiam ao fim do mês. 

A determinada altura, as autoridades perceberam que havia que colocar um ponto final nesta vergonha e meteram mãos à obra. E, em menos de uma década, construíram centenas de milhares de apartamentos, nos arredores, e acabaram-se as barracas. Os migrantes passaram a viver com dignidade e com direitos de cidadania. As notícias que chegam agora da Grande Lisboa, nestes tempos em que à pandemia se instalou nestes aglomerados urbanos sem as mínimas condições de higiene e salubridade, vêm trazer novamente o “lixo para cima de mesa” e percebe-se que quem tinha o dever de o varrer, não o fez. Referimo-nos, é claro, aos autarcas destas grandes ou mais pequenas cidades, a quem compete resolver o problema habitacional. O Primeiro Ministro foi Presidente da Câmara de Lisboa durante pelo menos dois mandatos e o atual, Dr. Fernando Medina, já leva também dois. Nunca lhe ouvimos uma palavra acerca deste assunto, parecendo que não os incomoda terem paredes meias com as grandes avenidas, nichos de pobreza, nos arredores da Portela, de Sacavém, da Expo, que se estendem para os concelhos vizinhos de Loures, Amadora, Sintra e para sul para Almada, Barreiro, Seixal, e por aí fora. O que significa que os programas de habitação social, que nós, os autarcas de grande parte do país, soubemos implementar nas últimas quatro décadas (aqui incluo Vila Real, onde fizemos nascer a Araucária, Bairro S. Vicente Paulo, Cooperativa de Traslar, dos Professores, da Concha, a Habireal e várias outras), situação que se repetiu por dezenas de Vilas e Cidades pelo país fora. 

É hora de alterar esta situação, na Grande Lisboa, varrendo todo o lixo que por lá há.

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