Criada oficialmente há três anos, com o apoio da Câmara Municipal de Alijó, a Feira da Laranja tem vindo a despertar cada vez mais o interesse dos apreciadores deste fruto. Associado ao evento, desenrolam-se várias iniciativas de âmbito musical e de lazer, que tornam a feira mais atractiva.
Este ano, foram vendidos centenas de quilos de laranja, cujo preço variou entre os 80 cêntimos e um euro. Maria José vende laranja nesta feira há 3 anos e considera que é uma boa iniciativa. “As pessoas aderem bastante bem à laranja de qualidade de S. Mamede. É doce, aromática e com muito sumo. É uma laranja que se apanha até Novembro sem secar”.
Esta comerciante manifestou alguma preocupação, similar a outros produtores, quanto ao efeito da barragem do Tua na produção. “Há muitos pomares que vão ficar prejudicados com as barragens. Um dia poderá não haver laranja como esta, devido ao clima e com o aumento do nevoeiro. Há laranjeiras, com mais de 100 anos, que vão ficar afogadas”.
Manuel Pinto Marinho, outro produtor de laranja, também está apreensivo. “Estou preocupado porque é uma herança de muitos anos e gostava de manter a laranja tradicional de S. Mamede. Produzo 4 a 5 toneladas de citrinos e metade da minha área irá ficar inundada”, acrescentou.
O presidente da Junta de Freguesia de S. Mamede de Ribatua, António Taveira, mostrou alguma cautela perante este assunto. “A barragem não irá colocar em causa a Feira da Laranja, nem a sua produção. A sua zona é extensa e haverá pomares que não irão ficar submersos. Porém, reconheço que cerca de um hectare deverá ser inundado”.
A Feira da Laranja juntou cerca de três dezenas de produtores deste fruto, tendo o certame sido visitado por mais de um milhar de visitantes.





