Como é referido no portal, o PRR “vai implementar um conjunto de reformas e investimentos destinados a repor o crescimento económico sustentado, após a pandemia, reforçando o objetivo de convergência com a Europa ao longo da próxima década”.
O primeiro relatório da Recuperar Portugal, divulgado a 26 de janeiro, revela quais são os destinos dos primeiros 3.829 milhões de euros aprovados. Estas primeiras verbas vão quase por completo para o setor público. São cerca de 3.800 milhões de euros destinados a entidades e empresas públicas, autarquias e escolas. Famílias, setor social e empresas recebem 29 milhões de euros, maioritariamente para as famílias.
A disparidade de valores entre o setor público e privado nesta primeira distribuição de fundos é bastante significativa. Enquanto as empresas públicas recebem 1.627 milhões de euros (mais de 40% do valor total), as empresas privadas recebem apenas 100 mil euros, uma quantia residual para um tecido empresarial que representa milhões de postos de trabalhos.
Apesar dos elevados valores já aprovados, apenas cerca de 10% já foi pago aos respetivos destinatários (396 milhões de euros).
Se, por um lado, a aplicação do PRR ainda está no início, por outro, a primeira distribuição de fundos parece indiciar que a aposta do governo para dinamizar a economia está alavancada na modernização do setor público, em detrimento do privado. Se a nossa bazuca europeia estiver com a mira desafinada, de pouco servirá para além de continuar a alimentar este grande polvo chamado Estado e respetivas clientelas privilegiadas. Nem a economia revitaliza, nem os impostos baixam.



