Depois do empate cedido, em casa, para o campeonato, o Santa Marta deslocou-se, de novo, ao Monte da Forca, para disputar a 2.ª eliminatória da Taça da Associação de Futebol de Vila Real. Mas, desta vez, não conseguiu contrariar o maior poderio da equipa “alvi-negra”. Num jogo de características diferentes, onde quem perde sai, os homens da casa não facilitaram e derrotaram os penaguiotas, por quatro bolas sem resposta.
Com muitas ausências, devido a lesões, tanto no Santa Marta como no Vila Real, ambas as formações tentaram escalar o seu melhor onze, para seguir em frente, na Taça. As duas formações tinham ambições, mas só uma seguiria para a próxima fase. Os forasteiros tentaram implementar a mesma estratégia do último jogo, onde povoaram bem o centro do terreno, para não deixar o adversário construir lances ofensivos perigosos. Mas cedo Leirós conseguiu encontrar o caminho da baliza. Aos 11 minutos, numa boa jogada de entendimento, Pedro colocou em Meia, este amorteceu para Leirós encher o pé e fazer o primeiro golo do encontro. Artur poderia ter feito mais. Ainda tentou agarrar a bola, mas esta, acabou por escapar-lhe, entrando na sua baliza. Um autêntico “frango”, como se diz na gíria futebolística.
Esperava-se uma reacção dos pupilos de Justino, mas isso não aconteceu. Foram os visitados os mais perigosos e que estiveram mais perto de ampliar a vantagem, por duas vezes. Na primeira, esteve Leirós a desequilibrar. Rasgou, na esquerda, para Caniggia, este desferiu um remate cruzado, para o voo de Artur, a desviar pela linha de fundo. Logo de seguida, o perigo rondou, de novo, os postes da baliza defendida por Artur. O remate de Castanha foi desviado, pela defensiva da casa. Adivinhava-se o segundo golo dos vila-realenses, tal era a superioridade demonstrada em campo, o qual surgiu, perto da meia hora de jogo. Nuno Meia colocou no coração da área, Leirós deu um pequeno desvio na bola para o segundo poste, onde apareceu Fredy, a cabecear, para o fundo das redes. Estava feito o segundo golo da tarde. A partir de então, finalmente, o Santa Marta reagiu, tendo disposto de duas boas ocasiões para reduzir a desvantagem. Aos 35 minutos, Carlos tirou a bola sobre a linha de golo, depois do remate de Luís Silva. Volvidos cinco minutos, Ricardo, só com Carlos pela frente, atirou por cima do travessão. Muito ansiosos, os jogadores forasteiros desperdiçavam muitas oportunidades. Sobre o intervalo, Peixoto rematou ao poste, num livre estudado entre Nuno Meia e Castanha.
Com muitas limitações no banco, Justino saiu para o intervalo a pensar no que poderia fazer, para mudar o resultado, a seu favor. Tarefa que não se adivinhava nada fácil, para a formação de Santa Marta. Mesmo assim, os comandados de Justino reentraram em campo com vontade de marcar. Logo no reatamento da partida, Carlos negou o golo a Diogo, num bom remate, de cabeça, deste jovem avançado.
Aos 57 minutos, um erro da defensiva penaguiota levou Meia a ganhar a bola e a rematar, para o corte providencial de Capelas. O central ficou muito agastado com as marcações dos seus colegas da defensiva. Enquanto tentava ir à procura de golos, para anular a desvantagem, o Santa Marta deixava bastante espaço atrás que o Vila Real aproveitou, para explorar o contra-ataque e ganhar algumas faltas, à entrada da área. Num dessas faltas, Nuno Meia cobrou o livre e colocou um ponto final quanto ao vencedor do encontro, se é que dúvidas havia, sobre isso. A bola passou por cima da barreira e entrou no canto superior direito da baliza de Artur que nada poderia fazer, perante o excelente remate do jogador “alvi-negro”.
Aos 88 minutos, novo golo para os da casa. Nuno Meia, com tempo para tudo, viu Norberto a aproximar-se, levantou para o segundo poste, onde apareceu o médio, a mergulhar, para, de cabeça, apontar o quarto golo do encontro. Estava feito o resultado final, num jogo em que o Vila Real demonstrou ser a melhor equipa, merecendo seguir em frente. O Santa Marta lutou com as armas que tinha, mas estas não chegaram, para contrariar a superioridade vila-realense. Resta-lhe, agora, pensar, apenas, no campeonato.
Luís Pimentel, treinador do Vila Real
“Fizemos uma excelente exibição”
Satisfeito com o resultado e com a exibição, Luís Pimentel sublinhou a dinâmica imposta pela sua equipa que mereceu a vitória e, assim, seguiu em frente, para a próxima eliminatória da Taça.
“Foi um jogo diferente do que aconteceu há oito dias. O terreno está muito irregular, o que dificulta sempre a equipa que tem maior posse de bola e que joga em ataque organizado. Felizmente, conseguimos marcar cedo e, a partir daí, gerimos bem, criando várias oportunidades. Fizemos uma excelente exibição e provámos que o resultado que aconteceu há uma semana pode acontecer, mas não foi fruto de uma má tarde do Vila Real. No futebol, os resultados são imprevisíveis e o empate aconteceu porque não conseguimos marcar os golos, apesar das várias oportunidades. Hoje, conseguimos aliar uma boa exibição a um bom resultado”.
Para o regresso do campeonato, apesar das várias lesões que assolam o plantel, Luís Pimentel já pode contar com o contributo de Palhares e Filipe, porque ambos acabaram de cumprir os castigos que lhes foram impostos.
Justino, treinador do Santa Marta
“A eficácia do Vila Real fez a diferença”
O técnico visitante ficou conformado com o afastamento da sua equipa da Taça da Associação de Futebol de Vila Real. Mas salientou que o resultado teve números exagerados.
“Os números são exagerados. Pelo que fizemos, nos primeiros vinte minutos da 2.ª parte, em que fomos totalmente superiores ao adversário, não merecíamos perder desta forma. Criámos três ou quatro oportunidades muito boas. Mas a eficácia e a qualidade individual que o Vila Real tem faz toda a diferença, no campeonato, e, hoje, também o fez. Tínhamos ambições, na Taça, mas não conseguimos superar um adversário difícil. Mesmo assim, os jogadores deram tudo. Têm que sair daqui com a cabeça levantada e pensar, agora, só no campeonato. Quem jogou deu o máximo e jogamos sempre para dignificar a camisola do Santa Marta”.
Márcia Fernandes
FICHA TÉCNICA
Jogo disputado no Complexo Desportivo do Monte da Forca, em Vila Real.
Árbitro: Carlos Martins.
Auxiliares: Hugo Frades e Nuno Frades.
VILA REAL – Carlos; Conceição (Nuno, 80’), Fredy (Zé Pedro, 89’), Miguel e Peixoto; Norberto, Leirós, Castanha e Pedro Alves; Nuno Meia e Caniggia (André, 84’).
Suplentes não utilizados: Vieira, Neco, Mika e Luís Carlos.
Treinador: Luís Pimentel.
SANTA MARTA – Artur; Jorginho, Capelas, Luís Carlos e Pires; David (Dani, 53’), Feliciano, Diogo e Fisga (Zé Carlos, 53’); Ricardo e Armando.
Suplente não utilizado: Nené.
Treinador: Justino.
Cartões amarelos: Armando (9’), Ricardo (14’), David (21’), Caniggia (65’) e Capelas (67’).
Ao intervalo: 2-0.
Marcadores: Leirós (11’), Fredy (29’), Nuno Meia (77’) e Norberto (88’).

