Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Biliões da Europa. Para quem?

Vem sendo noticiado que Portugal vai receber da Europa verbas consideráveis, para ajudar a refazer a economia, que sai devastada após as restrições a que a pandemia sujeitou o nosso viver.

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Em dez anos, só a fundo perdido serão canalizados 57, 9 MM euros o que significa 6.4 MM euros por ano. Neste mesmo período poder-se-á recorrer a empréstimos de mais 15 MM euros, cujo reembolso tarde ou nunca terá de ser pago. 

Coloca-se então a questão: como aplicar, ou melhor, por onde começar a revitalização da economia? 

O primeiro ministro terá pedido ao professor António Costa e Silva, um renomeado técnico da Partex (empresa da Gulbenkian), figura, supostamente, isenta e credível, a elaboração de um plano que compendiasse as principais propostas de salvação nacional. 

Não conhecemos o documento. Aqui lhe deixamos, no entanto, a nossa contribuição, numa área que costuma ser esquecida, embora de importância vital: a recuperação do interior do país. 

Chegou a hora de emendar o gravíssimo erro que vem sendo cometido há mais de um século e que levou a esta dicotomia do litoral/interior, fazendo-se um verdadeiro Projeto de Desenvolvimento Rural Integrado, dirigido a 2/3 do território nacional. E deixamos aqui o exemplo de um programa destes: o complexo Agroindustrial do Cachão, de que foi autor o Eng. Camilo de Mendonça, nos idos anos de 1950/1975, inopinadamente castrado na sequência do Golpe Militar que derrubou o regime em 1974. Este projeto de desenvolvimento, tem ainda muitas marcas no terreno – barragens, edifícios, estradas e caminhos, terraceamento de centenas de hectares de terra arável, bem como os pilares de transformação industrial da produção agrícola, silvícola e pecuária. Os arquivos do Cachão ainda guardam a maior parte dos documentos.

Em nossa opinião é este o caminho para revitalizar e valorizar o interior. Sugestão para as câmaras municipais de Vila Flor, Mirandela e Macedo de Cavaleiros, em cujos territórios existem ainda marcas muito vivas do “Plano”. Terão que ser as câmaras municipais, não apenas as que citámos, mas as de todo o território de Trás-os-Montes e Alto Douro, a assumir o papel de motores do desenvolvimento rural integrado da região, para se repovoar de novo o território abandonado. O desenvolvimento só se fará dando novas condições para que as populações se fixem, venham elas de onde vierem. 

Havendo dinheiro disponível, deixa de haver desculpa para o deixa andar. 

Câmaras municipais, Universidades e Politécnicos deem as mãos e lancem-se ao trabalho. O Futuro está nas nossas mãos. Agarremo-lo.

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