A Câmara Municipal de Vila Real assinou, no dia 19, um protocolo de cooperação com a Organização Não Governamental (ONG) alemã “@Fire”, que permitirá o reforço humano em caso de desastres naturais, nomeadamente incêndios florestais, e a troca de experiências e de know-how entre bombeiros.
Criada há cerca de dez anos, a organização conta hoje com um corpo de 117 voluntários que, em resposta ao pedido de auxílio da autarquia de Vila Real, e em equipas de 20 elementos, se deslocará ao território vila-realense no espaço de 24 horas (um período que poderá ser diminuído “em caso de pré-alarme devido às condições meteorológicas adversas”).
“Cooperar para combater” e “partilhar para melhor actuar”, são assim algumas das frases de ordem de uma relação que nasceu graças ao processo de geminação entre Vila Real e a cidade de Osnabruck, onde está sedeada a ONG.
Desde a década de 70 que o município mantém relações de amizade com a cidade alemã, uma parceria que, oficializada em 2005, deu frutos sobretudo nos sectores da educação, desporto e cultura. “Agora chegou a vez da Protecção Civil”, explicou Manuel Martins, presidente da Câmara Municipal de Vila Real.
O autarca recordou o ano de 2005, um dos mais negros do distrito no que diz respeito ao historial dos incêndios florestais, referindo que “durante dois meses” os bombeiros vila-realenses não tiveram descanso. “Recordo a bravura dos nossos bombeiros, que apesar de esgotados nunca se recusaram a combater”, sublinhou Manuel Martins, explicando que foi nessa altura que pela primeira vez o município pediu o apoio dos soldados da paz alemães, tendo participado no combate às chamas 35 elementos de quatro corporações e 10 voluntários da “@Fire”.
Desde então, além de apoiar as corporações nos momentos mais críticos, os bombeiros alemães têm-se deslocado a Vila Real para a troca de “experiência e de saberes”.
Detlef Maushake, chefe de equipa da “@Fire”, referiu que os seus homens “estão especialmente treinados para combater fogos em locais de difícil acesso e utilizando apenas equipamentos manuais e fogo táctico”.
“A nossa equipa é voluntária. Todos tiram tempo de férias para ir em missão de socorro”, garantiu o mesmo responsável, sublinhando no entanto que a organização, que já prestou auxílio em situações de desastres naturais em vários pontos do mundo, como por exemplo nos Estados Unidos, na Croácia, na Tailândia, no Paquistão ou no Haiti, está preparada para disponibilizar, em qualquer altura, equipas de pelo menos 20 homens.
Mas, o protocolo assinado vai mais além ao prever que os bombeiros alemães possam vir em socorro de qualquer outro município no território nacional, sendo necessário apenas um contacto com a Câmara Municipal vila-realense.
Desde Janeiro e até a última sexta-feira, os bombeiros do concelho receberam 83 alarmes, dos quais 53 representaram efectivamente incêndios florestais, que, por sua vez, consumiram uma área de 212,6 hectares.
Relativamente a igual período do ano passado, a área consumida pelas chamas já triplicou, sendo que nos primeiros seis meses de 2010 foram combatidos 39 fogos.
No que diz respeito ao distrito, e segundo dados do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SPENA), da Guarda Nacional Republicana de Vila Real, os números também dispararam este ano, tendo em conta que desde o início do ano foram recebidos 681 alarmes de incêndio, dos quais 512 corresponderam a incêndios florestais, que resultaram numa área ardida de 1.415,53 hectares. Já em igual período do ano anterior contabilizam-se 325 alertas, dos quais 252 corresponderam a fogos florestais e resultaram em 356,7 hectares de área ardida.




