Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022

Cabeleireiro Social quer chegar às aldeias

Ajudar a levantar a auto estima de pessoas de idade que vivem mais isoladas em inúmeras aldeias da região, é o objetivo de uma associação que já dá cursos de cabeleireiros gratuitos e até garante, para angariação de fundos, cortes e penteados à metade do preço praticado no mercado

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Uma carrinha é o que precisa a Associação Refúgio Social – Nuphar Lutea para fazer chegar às aldeias mais recônditas de Trás-os-Montes serviços de cabeleireiro gratuitos, que poderão fazer a diferença na vida daqueles que muitas vezes vivem mergulhados na solidão e longe de tudo.

Lucília Fernandes, fundadora da organização, explicou que o Refúgio Social nasceu em 2009, no Algarve, foi oficializado enquanto associação em 2013 e em outubro do ano passado chegou à Vila Real, trazendo consigo muitos projetos que visam ajudar quem mais precisa.

Quando ajudamos “não devemos olhar a religiões ou a cores partidárias”, defendeu a voluntária que, cabeleireira profissional e formadora na mesma área, trabalhou durante alguns anos na Santa Casa da Misericórdia de Lagos, tendo antes desenvolvido um intenso trabalho de voluntariado com os sem-abrigo daquele concelho algarvio.

Com ligações familiares à Vila Real, onde viveu durante alguns anos, o passo seguinte foi natural, com a criação de uma delegação da associação na capital de distrito transmontano, onde já tem um sede com vários serviços e, sobretudo, muitos projetos e a vontade de fazer cada vez mais.

Depois de já ter promovido um curso de cabeleireira gratuito e de garantir um espaço onde decorrem sessões de auto-ajuda para pessoas vítimas de violência ou com outros problemas (apoio garantido por uma assistente social), o passo seguinte será fazer chegar às aldeias um serviço que para muitos está fora do alcance. “Há pessoas que até podem estar bem financeiramente mas que não podem se deslocar, porque não têm como ou porque estão doentes”, explicou.

Para concretizar o desejo da associação, Lucília Fernandes adiantou que foram feitos os contactos com uma grande empresa de produtos que já acedeu ao pedido da Nuphar Lutea para apoiar a causa, sendo necessário no entanto o transporte. “Precisamos de uma carrinha. Já temos uma em vista, mas ainda faltam 2.500 euros para a conseguirmos comprar”, contabilizou.

A mesma responsável sublinhou que além do serviço de lavagem e corte de cabelo e até de barba, completamente gratuitos, o projeto vai ainda ter uma segunda vertente, com o envolvimento de duas jovens formadas em geriatria que vão, assim, oferecer os seus serviços (a preços reduzidos) aos utentes, como por exemplo apoio na higiene pessoal, criando assim o seu próprio posto de trabalho.

Relativamente aos cursos gratuitos de cabeleireira, a responsável pela Nuphar Lutea divulgou que neste momento estão abertas as inscrições, e que a formação deverá avançar assim que haja um número mínimo de pessoas interessadas.

“Devemos ensinar as pessoas a criarem o seu próprio emprego a cultivarem a sua auto-estima. Não chega só dar as cestas básicas e roupa, eles acomodam-se a isso”, defendeu Lucília Fernandes adiantando que para vingar no curso é necessário “algum talento natural” para a profissão, mas, “acima de tudo, força de vontade”.

 

Cozinha social nos planos da associação

Apesar de estar em Vila Real há apenas cerca de seis meses, os projetos da Associação Refúgio Social são vários, entre os quais está a criação de uma cozinha social que poderá funcionar nas suas atuais instalações, localizadas na Avenida 1º de Maio.

Sem “associados com cotas”, a associação conta apenas com “voluntários”, pessoas que possam dar um pouco do seu tempo ou beneméritos que possam ajudar com apoio financeiro ou através de bens. No caso da cozinha social, a associação tem, segundo Lucília Fernandes, todas as condições para na sua sede ter uma espécie de restaurante (como por exemplo extração de fumos), sendo necessário encontrar alguém que possa ajudar com a cedência de equipamentos e voluntários que garantam o seu funcionamento.

No que diz respeito à angariação de fundos, a Nuphar Lutea está prestes a avançar com um serviço de cabeleireiros que será garantido voluntariamente por alguns profissionais e que conta com o apoio de uma grande empresa de produtos de beleza, o que permitirá disponibilizar, às pessoas mais carenciadas, os vários serviços à metade do preço médio cobrado atualmente no mercado.

Quem quiser apoiar o Refúgio Social pode entrar em contacto com a sua fundadora, Lucília Fernandes, através do telefone 967538394, ou dirigindo-se à sede da associação, localizada em frente ao Parque Florestal de Vila Real.

 

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