Capitalismo Suicida

A expressão pertence ao filósofo e antropólogo Armando Bartra, vaticinando que ou o mundo acaba com o capitalismo ou o capitalismo vai acabar com o mundo.

Na sua opinião, “o capital busca o encarecimento, busca a destruição dos recursos naturais, porque isso faz com que a sua privatização gere maior lucro. Isso é um capitalismo suicida. A obtenção dos recursos naturais está sendo cada vez mais custosa em termos ambientais. Isso nos deixa próximos não do fim do capitalismo, mas da civilização como a conhecemos”. Não posso deixar de alinhar pelo mesmo diapasão e de a aplicar, com as suas nuances, claro está, à possível exploração de lítio na região de Barroso, onde poderão ser autorizadas várias explorações de Lítio e outros minerais. Em nome dos lucros de um punhado de capitalistas e de grupos económicos ou multinacionais, que andam vorazes atrás do “ouro branco”, pode-se vir a tornar toda uma região maravilhosa num enorme estaleiro de colossais minas a céu aberto e de montões de entulho, com grande contaminação para os solos e as águas e graves danos para a saúde pública.

O mais extraordinário de toda esta intentona é que tudo está a decorrer numa região que é considerada reserva da biosfera, património agrícola mundial, tem a maior reserva de água da Península Ibérica e tem no seu espaço o único parque nacional do país. O que é que isto significa de verdade, se a região vai ter o mesmo tratamento que qualquer outra região? Pelos vistos, todos estes atributos, que servem para farta exaltação de muitos políticos e agentes económicos, valem zero. Umas etiquetas ocas e umas balelas para animar o povo, porque basta luzir o brilho do ouro, seja ele de que cor for, e facilmente se dá ordem para deixar tudo em escombros.

Somos a favor da descarbonização do ambiente e somos a favor do lítio, mas não a qualquer custo e de qualquer forma, dando-se mais uma estocada, que pode ser a final, numa região que já foi muito sacrificada pelas barragens, contribuindo como poucas para a pegada ecológica do país, e que agora, apesar do seu reconhecido elevado valor natural, vai ser devastada por uma demolidora e assombrosa exploração mineira, que não vai criar um emprego nem vai deixar um euro na região, não sendo senão um suicídio assistido da região, patrocinado pelo capitalismo.

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