Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Carlos Cardoso — a morte prematura

Carlos Cardoso, mais conhecido por Carlos Lamego, era Professor Associado na UTAD, no Departamento de Educação e Psicologia… Acima de tudo, era um homem do Teatro que vivia profundamente os seus problemas, mas sentia também como ninguém as dificuldades das pessoas amigas, nunca recusando palavras de incentivo e conforto…

Criou o Curso de Teatro e Artes Performativas na UTAD. Foi estudante universitário em Coimbra em Direito, abandonando o curso em favor da sua paixão, manifestada já em criança, paixão devotada ao teatro e ao mundo insondável do espetáculo. Estudou em Sorbonne, Paris, e mais tarde em Montreal, no Canadá…Entrou depois como professor na nossa universidade. E aqui, conquistou facilmente amigos e admiradores e o respeito como cidadão de corpo inteiro…

Era solidário, franco, afável, simples, amigo…. Ao mesmo tempo, talentoso nas ideias e nos processos, que desencadeavam o fazer e o saber fazer…

A sua presença calma, os sorrisos francos e fáceis, funcionavam para os alunos, sobretudo os que vinham de fora, como vitamina necessária para se sentirem felizes e confiantes na nossa cidade. Não, nunca o vi zangado, nem alterado de voz, porque Carlos Cardoso dizia que era perder tempo e esse tempo seria necessário para pensar e agir adequadamente…Era sim, sensato, humilde e tolerante como poucos…

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Conheci-o durante 10 anos no CIFOP-UTAD e a nossa relação profissional foi intocável de amizade, companheirismo e cordialidade… Naquele corredor comprido quando ele passava, o ambiente era de boa disposição e quase de festa, porque todos o queriam cumprimentar, parando e sorrindo, e ele respondia célere sorrindo ainda mais…

Sim, foi um choque terrível saber que Carlos Cardoso nos deixou para sempre. Mas como feliz nascimento do canto que ilumina o seio celeste e nutre a vida dos que cá ficam, Carlos Cardoso deixa-nos a alegria de o recordarmos na sua vivacidade e simpatia, no seu simbolismo de homem bom de sensibilidade e sentido de humanidade. Vida intensa de paixão pelo teatro, cinema, literatura… pela vida.

Fernando Pessoa escreveu que vivemos da memória e de facto nada nos resta quando a perdemos… Existe um corpo, mas um corpo sem memória é como uma casa vazia… sem gente, sem livros, sem ver sequer o que está à nossa frente… Quem conheceu Carlos Cardoso, não vai querer perder a memória para o recordar até sempre a pessoa que foi, em toda a plenitude, um grande exemplo de vida…

Paz à sua alma… grande e gloriosa… 

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