Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
Paulo Reis Mourão
Economista e Professor Universitário na Universidade do Minho. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Cem anos, uma vida, muitas vidas, muitos anos mais!

O SCVR celebrou 100 anos! Parabéns! Um clube celebrar 100 anos é o reflexo do somatório de muitos dias dedicados e noites mal dormidas de muitas pessoas – desde o ato fundador até aos dias de hoje. A grandeza de um clube como o Bila vê-se na medida em que é muito difícil escolher-se alguém […]

-PUB-

O SCVR celebrou 100 anos! Parabéns! Um clube celebrar 100 anos é o reflexo do somatório de muitos dias dedicados e noites mal dormidas de muitas pessoas – desde o ato fundador até aos dias de hoje.

A grandeza de um clube como o Bila vê-se na medida em que é muito difícil escolher-se alguém da região (residente ou não em Vila Real) e essa pessoa não ter tido um contacto mais ou menos próximo com o clube, um contacto mais ou menos apaixonado, um contacto mais ou menos intenso. Ou escolher-se alguém e esse alguém não ter uma mão-cheia de histórias (ou uma editora repleta de histórias) envolvendo o clube, sobretudo o principal património do clube – as pessoas.

A grandeza do clube mais antigo da região vê-se em muitas dimensões. Em primeiro lugar, uma instituição associativa sobreviver 100 anos é, academicamente falando, só possível pelo triângulo da sustentabilidade – sustentabilidade da massa associativa e da sua renovação, sustentabilidade dos ‘stakeholders’ (isto é, os que beneficiam diretamente e indiretamente com a ação do clube) e sustentabilidade institucional (desde a presença de fluxos financeiros que têm garantido a sobrevivência do clube até ao relacionamento institucional, nacional e internacional).

100 anos representam milhares de dias somados e multiplicados pelos milhares de sócios, defuntos ou militantes, com quotas em dias ou quotas em liquidação. Cada sócio do Bila, povoando os encontros das diversas modalidades desde os santuários do Calvário ou do Monte da Forca até os demais recintos espalhados pelo mundo, é um sócio único. Mulher ou Homem, do Marão ou do Alvão, da Bila ou da região, Menino da Bila ou da Guia, sem idade. Conhece o vernáculo, mas sabe escolher as palavras e os momentos. Músculo tenso, garganta aflita. Lágrima no vidro dos olhos – às vezes, cai dentro, noutras, cai fora dos mesmos olhos. Como bola na linha de golo – às vezes, cai dentro, noutras cai fora. O sócio do Bila tem o xamanismo de um celtibero, mas o trágico dos mouriscos; o sócio do Bila vem daquela cepa de infanções que Afonso Henriques sabia que só aqui encontraria e que mais tarde Dom Pedro de Menezes levou para olhar sobranceiro o Atlas. O sócio do Bila em qualquer lugar do mundo está em casa.

100 anos representam muitos atletas. Milhares de atletas. Hoje também é o dia de todos eles – desde os que descansam no Olimpo dos grandes exemplos de humanismo, desportivismo e solidariedade – até os que hoje militam com essa camisola alvinegra. Desde os mais novos até aos mais velhos. Pode alguém carregar o sonho, a frustração, a dor e a vitória de uma terra obstinada, resistente, saudada? Pode; esse alguém é o jogador alvinegro.

100 anos representam muitas gerações de diretores, funcionários, colaboradores e voluntários. Hoje é o dia de todos eles! 100 anos representam muitas palavras trocadas, passes bem e mal feitos, bolas atrasadas ou adiantadas, mensagens perdidas, mensagens alcançadas. 100 anos é um tributo também a todos eles – desde os que deram a vida pelo Clube até àqueles a quem o Clube deu vida.

Mais Lidas | opinião

Do bloco de notas da semana

“Uns e Outros”

Cansaço

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.