Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Centro Cultural Regional de Vila Real – 40 anos

Nem júnior, nem sénior

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“Atingimos a idade madura”. Uns concordarão, outros, nem por isso. Haverá até quem se arvore em defensor da arca sagrada, perdida para eles, porque isto de fazer desenvolver uma cooperativa acabada de nascer, num contexto sociopolítico com marcas claras de pouca simpatia pelo cooperativismo e pela cultura dá muito trabalho, leva muitas vezes ao desalento que só convicções profundas e bem enraizadas sustentam. Quem tenha acompanhado com alguma atenção a vida do CCRVR aceita com facilidade a expressão do Presidente da Direção Hermínio Botelho, acima destacada. E está de “boa saúde”.

Trago ao meu “Visto do Marão” a efeméride, não por integrar os atuais órgãos diretivos, mais porque acompanhei, desde cedo, momentos de infância, a vida desta cooperativa cultural. Como dirigente de uma associação, o Grupo Desportivo, Cultural e Recreativo de Santa Eugénia, que se fez sócio coletivo (março de 1981) para poder participar da muita riqueza cultural que o Centro gerava na região, fazendo cultura, numa atenção muita particular às expressões culturais das gentes do distrito de Vila Real e da região. E foi assim que, num fim-de-semana, o Grupo de Teatro daquela associação trouxe aos seus conterrâneos, residentes em Vila Real, o “Terra Firme”, de Miguel Torga, possível, porque o Salão Nobre se transformou em sala de teatro. Colaborei, então, no Nordeste Cultural. Com notícias, artigos de opinião, reportagens – lembrarei a do Congresso de Arquitetura Popular, em Vila de Perdizes, da iniciativa de Lourenço Fontes – mais uma – que também nos levou, pelo meio de lameiros de Tourém, ao outro lado da fronteira para visitar um forno do povo que reabria naquele dia. O objetivo, recordo, era conhecer, comparar com os de cá e celebrar a reabertura. E esta era uma das marcas do Centro – preservar, valorizar e promover diversas formas de cultura popular. Os jogos populares foram a sua marca de água. Mas o Nordeste Cultural tinha que sobreviver sem publicidade, dizia-me o seu Diretor, António Cabral. Assim, podia ser um efetivo órgão de informação e partilha de todos os sócios do CCRVR. Porque muito ligado aos sítios, tal como o Centro, ajudei a organizar os Encontros de Associações Culturais dos concelhos de Alijó e de Murça, uma outra das suas muitas atividades, no caso, “destinadas a incentivar a reflexão sobre o trabalho desenvolvido e a desenvolver e, ainda, a permuta de experiências”. 

O CCRVR continua a ser uma referência cultural na cidade e na região. Nasceu, desenvolveu-se, teve as suas crises de crescimento. É um espaço de “muita cultura”. Hoje, virado de modo especial para a dinamização e bom funcionamento da Universidade Sénior de Vila Real. E, glosando Ribeiro Aires, autor do livro saído do prelo no passado dia 5, poderemos dizer que o Centro continua a ser uma “estrela”, com “identidade, protagonismo e liderança”, caraterísticas que, no seu entender, marcaram estes seus 40 anos.

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