“Ainda não acredito nisso. Ainda não recebi nenhuma comunicação oficial por parte da autarquia de que não iremos ter iluminação de natal”, sublinhou, ao Nosso Jornal, José Ricardo, presidente da Associação Comercial e Industrial de Vila Real (ACIVR), quando confrontado com declarações públicas do autarca Manuel Martins, que apresentou o cancelamento do subsídio como uma das medidas de poupança do Município.
Segundo o autarca, a não atribuição do respectivo subsídio à ACIVR é apenas mais uma das medidas delineadas para que o Município aperte o cinto em altura de crise. “Não haverá iluminação de Natal nem apoios financeiros para jantares, a não ser o dos idosos, porque é a única coisa que lhe damos ao longo do ano”, explicou o mesmo responsável político.
De recordar que, já no ano passado o valor entregue à Associação para a iluminação sofreu uma redução de mais de 50 por cento relativamente ao Natal de 2008, passando assim de 42 mil euros para 20 mil, tendo sido por isso reduzido o número de luzes em algumas ruas e outras ficaram mesmo sem qualquer iluminação natalícia.
José Ricardo aceita que haja um novo corte no orçamento, mas “não acredita” que a Câmara Municipal, “que sempre esteve com os comerciantes, nesta altura de crise, em que o comércio tradicional mais precisa, lhes vire as costas”.
“Sabemos que há muito onde cortar antes de chegar ao comércio tradicional e aos eventos de dinamização do centro da cidade”, defendeu o mesmo responsável.
Confirmando que sozinha a ACIVR, que representa ainda outros seis concelhos do distrito, não tem capacidade financeira para suportar o orçamento necessário para a iluminação, o dirigente associativo adianta que irá ser feito um esforço adicional para a animação das ruas do centro histórico na época natalícia. Assim, além da habitual movimento de pais natais a distribuírem brindes e a música, a associação comercial vai voltar a pedir aos comerciantes que enfeitem a entrada das suas lojas com tapetes vermelhos e pinheiros, como aconteceu pela primeira vez no ano passado.
Para chamar ainda mais pessoas ao centro da cidade, a ACIVR está a preparar uma feira de produtos regionais e um presépio vivo.
Apesar de todos os esforços, José Ricardo defende que, sem as luzes de Natal, a cidade “vai morrer bastante” e sublinhou a sinergia que foi criada entre a Câmara Municipal de Chaves e a Associação Comercial local, um bom exemplo de como no futuro as verbas para a iluminação podem ser acauteladas. “Em Chaves a autarquia não paga directamente a iluminação, mas, em contrapartida, entrega a organização da Feira dos Santos, com os lucros a reverterem todos para a Associação Comercial. Se entrarem 200 mil euros nos cofres da Associação e forem gastos 70 ou 80 mil euros na iluminação, ainda sobra muito dinheiro para a animação”.
No caso de Vila Real, o mesmo responsável recorda que, também a organização das Feiras de Santo António e de São Pedro, e mesmo da Feira do Cavalo, realizada na altura das Festas da Cidade, era da responsabilidade da ACIVR até há quatro anos atrás.
Relativamente à situação do comércio tradicional, o mesmo responsável revelou que, nos últimos anos, o balanço é negativo. “Há uma série de lojas a abrir, no entanto são mais as lojas que encerram”, explicou o presidente da ACIVR, desenhando um cenário “muito delicado”. “Houve uma série de factores que contribuíram para o momento menos bom do comércio tradicional, nomeadamente a abertura de um elevado número de grandes superfícies, um número provavelmente maior do que o mercado necessitava”.
A situação agravou-se com “a crise que as pessoas estão a atravessar”, uma crise no poder de compra dos cidadãos que teve um impacto bastante significativo nas vendas dos pequenos comerciantes.
Apesar das dificuldades, José Ricardo mostra-se confiante no futuro, defendendo “que haverá sempre lugar para as lojas de comércio tradicional, um comércio completamente diferente do das grandes superfícies, mais próximo das pessoas, com rosto e que desenvolve o centro das cidades”.



