RegiãoCentro Interpretação Ambiental e Recuperação Animal custou dois milhões

Centro Interpretação Ambiental e Recuperação Animal custou dois milhões

CIARA, localizado na aldeia de Felgar, foi construído ao abrigo do programa de compensação pela construção da barragem do Sabor 
 

A EDP investiu dois milhões de euros na construção do Centro Interpretação Ambiental e Recuperação Animal (CIARA), que foi inaugurado na sexta-feira pela secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, que sublinhou a importância do Plano de Ordenamento do Baixo Sabor para proteger os recursos naturais da região. “Este Plano de Ordenamento constitui-se como um novo instrumento de gestão do território, que tem um caráter especial e será também uma salvaguarda dos recursos naturais. Esperamos que a partir daqui se possam delinear os constrangimentos e a forma de proteger a natureza”, disse a governante, adiantando que os projetos turísticos e ambientais a implantar ao longo dos mais de 60 quilómetros de extensão na albufeira da barragem do Baixo Sabor terão assim regras bem definidas, tendo em vista “a proteção ambiental do todo o ecossistema”.

Com esta nova estrutura, Célia Santos diz que vai ser possível atrair mais visitantes ao território, através de projetos turísticos bem delineados, “capazes de atrair um tipo de turismo não massificado, dada a sensibilidade ambiental desta região”. 

Podem aqui desenvolver-se várias componentes, como a educação ambiental e a recuperação de aves e outras espécies. “Temos aqui um elemento singular que pode ajudar a projetar esta região e outras. É importante ter visitação que permita a sua rentabilidade. “O silêncio, a luz das estrelas, as águas calmas, a fauna e flora são algumas das mais-valias deste território tão especial”, realçou esta responsável, que mais tarde devolveu à natureza uma coruja das torres que foi ali recuperada pelos técnicos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Inserido no Reino Maravilhoso, o CIARA pretende “organizar e promover a cultura científica, tecnológica e a difusão do conhecimento do território” do Baixo Sabor e não só. “O CIARA só será um verdadeiro centro de recuperação ambiental e animal se for geograficamente alargado ao parque de Montesinho, ao Douro Internacional ou ao Parque Regional do Tua, em que os técnicos da UTAD e do IPB poderão desenvolver os seus conhecimentos”, exemplifica o presidente da Associação de Municípios do Baixo Sabor (AMBS), Nuno Gonçalves, que acredita nas potencialidades da infraestrutura no desenvolvimento do território. “O centro vai contribuir para a preservação e desenvolvimento da biodiversidade do território transmontano.

Uma outra componente estratégica do CIARA passa por conseguir conjugar com os agrupamentos de escolas, onde será fundamental levar o conhecimento tecnológico e das boas práticas ambientais às escolas. “Já estamos a fazer com alunos do 9º ano, que têm disciplinas que podem interagir com este centro”, sublinha o também presidente da Câmara de Torre de Moncorvo. 

O CIARA está equipado com dormitórios, casas de banho e cozinha, permitindo aos estudantes desta área, que queiram fazer mestrado e doutoramento, ficar no centro durante o tempo que necessitam de desenvolver as suas teses. 

No novo espaço poderão ser recuperadas diversas espécies animais selvagens de pequeno porte, no entanto “alguns dos animais que não possam ser aqui recuperados irão para a UTAD”, realça o autarca, acrescentando que o edifício, construído pela EDP, será gerido pela AMBS. “Teremos aqui em permanência um tratador e também técnicos superiores da UTAD em regime de part-time”. 
Esta é uma das medidas do plano de compensação pela construção da barragem do Sabor, mas Nuno Gonçalves espera que em breve sejam concluídos os caminhos que ficaram alagados e ainda não foram repostos, assim como a construção de quatro cais que possibilitem que estes lagos, com uma extensão de 60 quilómetros, possam ser usufruídos por todas as pessoas.
O administrador da EDP, António da Costa, informou o autarca que os caminhos ainda não estão arranjados “devido à burocracia”, a que a empresa elétrica é alheia. 

Este responsável salientou ainda que o projeto do Baixo Sabor é muito mais do que a construção de duas complexas centrais, já que contempla um conjunto de medidas de compensação que estão a ser implementadas, onde se insere o CIARA. “Potencia a aproximação das universidades, são atrativas para os jovens e podem ser potenciadores de um maior desenvolvimento da região”.   

“Caminhos do Sabor… Navegar na Montanha” 

Durante a inauguração do CIARA, a AMBS aproveitou para apresentar a rede de percursos pedestres do Baixo Sabor, designada “Caminhos do Sabor… Navegar na Montanha”, que tem um conceito diferenciador, como nos explicou o presidente Nuno Gonçalves. “A ideia passa por estruturar todos os percursos pedestres dos quatro municípios, em que se pretende ter um percurso aglutinador onde as pessoas podem ser levadas de carro”. 

Além disso, os miradouros serão “um dominador comum”, em que as pessoas conseguem fazer os percursos e ao mesmo tempo estar nas aldeias, de forma a desenvolver a economia dessas localidades. “O objetivo passa por haver esta interação nesta enorme massa de água, que permita o desenvolvimento económico, local e social”, conclui o autarca.               

A albufeira do Sabor estende-se ao longo de 60 quilómetros, desde a zona da barragem até cerca de 5,6 quilómetros a jusante da confluência do rio Maçãs com o rio Sabor, ocupando áreas dos concelhos de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros. 

DEPOIMENTOS

NUNO GONÇALVES
Presidente da Câmara de Torre de Moncorvo
 “O CIARA só será um verdadeiro centro de recuperação ambiental e animal se for geograficamente alargado ao parque de Montesinho, ao Douro Internacional ou ao Parque Regional do Tua”

 

 

 

ANTÓNIO COSTA
Administrador da EDP

“Estamos na exploração do empreendimento, agora devem ser os municípios e as instituições de ensino a unirem-se na gestão da infraestrutura, de forma a darem seguimento ao projeto, que a EDP apoia anualmente com 100 mil euros”
 

 

 

CÉLIA RAMOS
Secretária de estado

“Vai ser possível atrair mais visitantes ao território, através de projetos turísticos bem delineados, capazes de atrair um tipo de turismo não massificado, dada a sensibilidade ambiental desta região”
 

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